"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Lavabo inter innocentes manus meas...

Pelo menos até ontem a noite não havia água para lavar-se as mãos no barracão onde acontece a Feira do livro de Brasília. Com 1 milhão e 300 mil que o governo confessa ter gastado para viabilizar o evento, qualquer contador ou síndico sabe que daria até para instalar uma cachoeira de água mineral lá no meio das estantes e dos livros...  E depois, mesmo para quem nem acredita na existência de bactérias, vírus, coliformes fecais e etc., é um baita desrespeito! Para que tem servido até hoje a tal literatura, a poesia, os contos, os ensaios, a Enciclopédia médica e a parafernália toda ligada ao mundo das letras, se até aqui não ensinou sequer aos governantes e a seus lacaios que lavar-se as mãos é crucial para a "felicidade" e para a "sobrevivência" e que, inclusive, a invenção do sabão aconteceu bem antes que a engenhoca de Gutemberg? Imaginem o sujeito cheio de pompas e de lencinho branco enfiado no bolso do paletó comprando um manual de 469 páginas sobre higiene e saúde ou mesmo a apostila Mudanças de hábitos do Dr Albert Mosseri exatamente das mãos de um livreiro que, desde manhã, está ali sem ver uma gota de água... Para o surrealismo e o paradoxo serem totais, só falta mesmo um busto de Osvaldo Cruz ao lado do fórum dos literatos! 
Apesar dos disfarces, continuamos patinando no essencial! É evidente que o rei está pelado, e mais, com perebas visíveis por todo o traseiro...

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