"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sábado, 28 de setembro de 2013

Este é meu feto... e esta é minha placenta...

Meu correspondente estrangeiro acaba de enviar-me a notícia de que as mulheres dos USA estão lançando uma novidade nos costumes: devorar a própria placenta. 
Os criadores de porcos, de gatos e de outras espécies sabem muito bem que no mundo animal isso é comum para esconder das outras feras o nascimento, agora, entre os homo sapiens, jamais se havia registrado, a não ser no submundo da loucura, algo tão nojento e tão singular. Se esse exotismo babaca nos causa um certo espanto, não é por frescura, por moral ou pela coisa-em-si, mas por curiosidade psicopatológica, pois parece evidente que quem come a placenta, dependendo das circunstâncias, não teria problema algum em comer também o filhote. E o argumento dessas malucas autofágicas é aquele de sempre: que faz bem para a pele e para a saúde. Saúde! Percebam como essa abstração passou a ser uma forma de tirania pessoal e que todo mundo só quer saber de ter saúde e de manter-se jovem! Morrer saudável e com a pele esticada parece ser a glória máxima para essa pobre espécie de moribundos e de condenados! 
Para os canibais interessados nessa aberração, pode-se come-la cru, também como se fosse um bife acebolado ou à milanesa e também desidratada e transformada em pó.
E essa idiotice placentofagica nos lembra de Lutero, o velho sacerdote agostiniano que recomendava aos doentes de epilepsia que se quisessem obter a cura, deveriam comer pequenos pedaços das próprias fezes todas as manhãs. Lembra também daquelas mulheres que, por recomendação de algum guru ou pai de santo bebiam meio copo de seu sangue menstrual uma vez por mês, sem falar dos rituais de magia negra onde o sêmen ainda é ingerido quase como uma hóstia... E claro, nos remete aos lunáticos que ainda circulam por aí com ares de polichinelos tomando a própria urina com fins terapêuticos e transcendentais...
Enfim, cercado, cada dia mais, por bobagens desse tipo - como dizia Fernando Pessoa - "o coração, se pudesse pensar, pararia".

4 comentários:

  1. Bazzo, esse seu post também me lembrou do ritual de endocanibalismo, dos isedones, habitantes dos montes Urais, que devoravam os corpos dos parentes. E os remédios à base de carne humana na forma de carne de açougue, em doses "homeopáticas". Abraço

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  2. Ver também
    Placenta com brócolis | Guisado de placenta | Placenta picante australiana
    https://plus.google.com/103133720463890296594/posts/WFfQat39DfA

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  3. isso não é nada, eu estou acostumado a comer merda todo santo dia com essa minha vida miserável ! Minha vida é uma merda e eu não consigo fazer nada para mudá-la, talvez não seja a vida que seja uma merda, mas eu mesmo que sou a merda.

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  4. Caráleooooo.

    Nem falar hein?!

    De fato, se dissessem pra essa mulherada que comer o proprio filhote, ou quem sabe o feto, traria 10 anos a menos e juventude garantida, as taxas de infanticídios seriam ainda maiores.

    Que viagem... nêgo se recusa a enfrentar a velhice de forma corajosa... nem esperam a idade avançar para demonstrar o quão senil são!

    Tem o outro lado tbm... vivemos num molde onde a mulher velha é desvalorizada, ridicularizada e esquecida.... pode ser q isso seja o gran motivo para as loucas correrem atras de botox e bisturis...

    Lamentável

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