"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Rimbaud à Marseille (le dernier voyage...)


Rimbaud à Marseille é um livro interessante e completo sobre a “última viagem” do autor de Uma temporada no inferno aqui por esta cidade. Esgotado nas livrarias, está disponível no terceiro andar da Biblioteca Alcazar...
Marseille, naquele tempo, e mesmo agora, era a saída (e entrada) principal para a África e para o Oriente. Foi aqui no Hopital de la Concepción que (por máxima ironia com um vagabundo) lhe amputaram a perna direita e para onde, alguns meses depois, já na morfina e nos delírios, Rimbaud voltou para morrer. 
Há muito tempo já não queria mais saber da poesia, da escrita e dessas bobagens. Dedicava-se agora a negociar armas, café e qualquer outra coisa que lhe desse dinheiro lá nos cafundós da África. Seu sonho era voltar rico para a França.., o que reforça a idéia de que essa história de poetinha maldito etc., é pura bobagem juvenil e de conveniência. Uma amante milionária, um contracheque ou  qualquer outro negócio rentável costuma colocar fim a essas histórias teatrais, românticas e febris de rebeldia e marginalidade... 
Independente disso e de qualquer outra coisa, sua obra, escrita precocemente, é uma maravilha... Os marsellaises, prestaram-lhe uma homenagem com um monumento erigido ali no Parc du Prado (Roucas Blanc), de cara para o mar, para as colinas cor de chumbo e para essa ventania terrível, apelidada de Mistral, que só pode vir das profundezas do inferno... 
 
O Hopital de la Concepción ainda existe e com a mesma fachada de 1891. Saltando na estação de metrô La Timone, é só descer pelo Boulevard Baile, até o número 220. Em frente está o hospital. No corredor de entrada já há uma série de fragmentos da poesia de Rimbaud, fotos e informações sobre aquele famoso paciente de cento e vinte e tantos anos atrás.

Já, no interior do prédio, estão cartazes e uma placa de mármore com um fragmento de Illuminations. Admitamos: isto não é para qualquer paciente e nem para qualquer defunto...

Nenhum comentário:

Postar um comentário