"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Nicolau, o boi de piranha...


Você, como eu e toda a torcida do flamengo deve estar confuso com a insistência da justiça em manter o Sr. Nicolau,  - aquele ancião, ex-juiz que desviou cento e tantos milhões em SP - lá na penitenciária de Tremembé, atrás das grades. A que vaca sagrada desta monarquia disfarçada ele teria profanado? A quem ele teria ofendido para, doente e já na senectude, estar sofrendo os rigores da lei quando outros, milhares de outros, atores de crimes e de safadezas iguais ou até piores que as dele estão por aí cagando para o judiciário, cagando para as comissões de ética, para os moralistas de plantão, para o código penal e para todos os outros clowns desse circo? Pelo jeito só sairá de lá esticado na tricolina lilás de um ataúde... Qual é a lógica? Qual é o argumento? Qual é o sentido? Como é possível que a Lei, logo a lei, esteja submetida a um subjetivismo desses? Como é possível que os juízes tenham a liberdade de julgar conforme o humor de cada um? Um solta, o outro prende, um dá dez anos o outro dá dez dias! E todos se escudando no mesmo Código, na mesma Constituição, nos mesmos traumas e experiências pessoais!? Que desordem manicomial é essa? E no interior do rebanho... ninguém responde...  todo mundo segue sua rotina inútil, de boca aberta, como se esperassem que, qualquer hora dessas haja uma intervenção de outra galáxia... Repito: Não haverá! Me consolo na leitura de Jared Diamond: O terceiro chimpanzé. Depois do chimpanzé pigmeu do Zaire e do chimpanzé comum da África Tropical, estamos nós. Pobres miseráveis nesta luta de extermínio silencioso, travestidos e perfumados, com as unhas sempre bem aparadas para que não nos tragam inoportunas lembranças e para que não acelerem ainda mais nossa cavalgada em direção ao vácuo...
Com penitenciárias ou sem penitenciárias, com república ou sem república, com papel higiênico ou com sabugo, com códigos penais ou simplesmente com bordunas, com toda a mentirada sofisticada que colocamos em pauta e com a suposta bagagem civilizatória que adquirimos nestes milhões de anos, a diferença entre nossos genes e os deles é apenas de 1,2%...
Agora entendo o mendigo K., quando me provocava: sempre que quero trocar olhares de sinceridade com alguém, atravesso a cidade e passo o dia no zoológico...



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