"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

terça-feira, 9 de abril de 2013

O MELRO envenenando seus filhotes...

Num poema de Guerra Junqueiro contido no livro A velhice do Pai Eterno e titulado O Melro, o escritor português trata de um assunto fascinante: um abade que havia engaiolado uma ninhada desses pássaros  e que a mãe, frustrada por não poder salva-los, os envenena. Cito a parte final e em seguida uma nota de Junqueiro: 

[O melro, ao ver aproximar-se o abade, 
Despertou da atonia, 
Lançando-se furioso contra a grade
Do cárcere. Torcia,
Para partir os ferros da prisão,
Crispando as unhas convulsivamente
Com a fúria dum leão.
Batalha inútil, desespero ardente!
Quebrou as garras, depenou as asas
E alucinado, exangue,
Os olhos como brasas,
Herói febril, a gotejar em sangue,
Partiu num voo arrebatado e louco,
Trazendo dentro em pouco
Preso no bico um ramo de veneno,
E belo e grande e trágico e sereno
Disse:
"Meus filhos, a existência é boa
Só quando é livre. A liberdade é a lei,
Prende-se a asa, mas a alma voa...
Ó filhos, voemos pelo azul!... Comei"]




2 comentários:

  1. putz, aqui tenho parentes e amigos idiotas que desfilam e vendem passarinhos em gaiolas.A vagabunda da minha mãe tem uma coleirinho na gaiola e acha isso bonito. E todos esses filhos da puta que aprisionam passarinhos em gaiolas e viveiros vivem na igreja beijando a bunda dos padres. Li seu livro Vagabundo na China, gostei muito. Sou a favor do compartilhamento de livros na internet. Se puder , dê uma olhada no link desta notícia, como tem mulher e escritora idiota ! Se pelo menos ela fosse uma Anais Nin, aí eu leria os livros dela.

    http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2012/08/nua-escritora-faz-protesto-contra-pirataria-em-livraria-de-sao-paulo.html

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  2. MÔNICA PRADO TORRES9 de junho de 2015 14:40

    Pois é, Ezio !!! Apesar da dor que sinto pela perda, às vezes penso que o homicídio da minha filha, Verônica, talvez a tenha poupado de muito sofrimento... Não consigo imaginar o que eu faria se ela sofresse as sequelas da perseguição... No mínimo eu teria saído do país com ela... O problema seria para onde eu iria, e como eu iria criá-la em território estranho... Bem, não adianta pensar no "se", porque hoje ela não vive mais... Matá-la fazia parte da estratégia "deles" para me isolar... Sem filha e sem marido, seria mais fácil de me isolarem e "sumirem" comigo...

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