"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Aos néscios... os tomates...



Nesta última semana o tomate monopolizou os noticiários e a pança. O papo nas feiras, a tagarelice das donas de casa e dos maitres e até dos filósofos de bancas de jornais não iam além desse assunto, como se uma tolice dessas tivesse tanta ou mais importância que, digamos, o quinto dia da criação... Os economistas ocuparam suas pautas com esse assunto e falavam dele com o mesmo virar de olhos que os poetas quando falam de rouxinóis... Esqueceram as pedras nos rins, toda a química e toda a pesticida que está criminosamente embutida nas entranhas desse alimento. Deixaram pra lá os supostos mísseis da Coréia, os 210 homicídios aqui do DF, só nos primeiros três meses do ano; esqueceram a paralisia nacional; a vampiragem das companhias telefônicas; o morticínio nas estradas; o silêncio sepulcral do Congresso Nacional diante de todo o caos latejante... e diante do esquartejamento do país... A turba esqueceu da falência quase secular dos hospitais; da indústria vil dos medicamentos; da falta de higiene generalizada tanto nos botecos como nas UTIS... enfim, os tomates, essa metáfora de culhões, ofuscaram até o óbito da Thatcher e se sobrepuseram a todas as nódoas do bando assim como à insalubridade do cotidiano... Dizem que está caro, caríssimo, inacessível, que contrabandistas até estão indo busca-lo em sacos e mais sacos na fronteira com a Argentina, para economizar uns centavos... uma vez que sem o licopeno, o potássio, o fósforo e outros elementos milagreiros que dizem haver nele, a culinária nacional pode descambar... Que é ele que evita câncer de próstata, que melhora a pele, que revigora o cérebro, que dá mais vigor às ereções e que fez pela culinária italiana mais que Leonardo da Vinci pela arte, etc. Os barões do agronegócio assistem a tudo rindo e coçando o saco... Não sei se lembram, mas a dona do Ketchup até concorreu recentemente à Presidência dos EEUU. Pura histeria! Inclusive, porque houve época em que, pelas suas correlações com a Mandrágora, a Europa o considerava um "fruto" venenoso. Como a batata, o milho, o cacau, o fumo etc.,, também foi pirateado dos incas, pelos invasores... Enfim, um teatro patético sobre o nada! Sorte que já estamos cansados de saber que, para os salafrários, há em toda miséria o mesmo pranto... 

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