"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A decadência dos carcarás...

Quem transitar pelo campus da UnB, a qualquer hora do dia, possivelmente irá deparar-se com uma cena pra lá de desoladora: uma família inteira de carcarás, uns sete ou oito, pastando ou ciscando nas lixeiras como verdadeiras galinhas chocas, num verdadeiro estupor... Só falta cacarejarem! Logo eles que, "parentes" longínquos das águias e dos falcões, sempre foram mencionados tanto pela literatura como pelos sertanejos, como o verdadeiro terror de outras espécies... Logo eles a quem dediquei Entre os gritos do carcará e a desfaçatez da raça humana!, e que justificaram minha viagem de vinte dias pelas margens do Rio São Francisco, desde a fonte, nas montanhas de Minas, até a desembocadura no mar das Alagoas... 
Quê triste espetáculo o da domesticação!!! O bico já não é como navalha, o solidéu no alto da cabeça nem é mais tão preto, as penas meio arrepiadas, os piolhos quase visíveis, o olhar morno da anemia, o passo quase deprimido esgaravatando sobre restos de porcarias acadêmicas e domésticas... Nada neles lembra aqueles selvagens e esbeltos predadores, sempre de guarda, com as garras cravadas sobre os botões espinhentos e vermelhos do mandacaru... sempre vibrantes, olhar hipnótico, as asas típicas de combatentes... dando rasantes aqui e acolá sobre os inofensivos bezerros recém nascidos ou então, se atracando ferozmente com uma jararaca na poeira dos barrancos...



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