"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Hieróglifos rabiscados nas estrelas...

Nos anos estupendos que vivi na Cidade do México, o programa anual para o período de vacaciones de la UNAM era descer para a região de Yucatan, Chiapas, Palenque, Isla Mujeres... território que até o século XIII pertencia e era habitado pelos maias. Foi do amontoado de pedras e das poucas ruínas de pirâmides que sobraram por lá que os místicos, os esotéricos e até alguns dementes paleontólogos farejaram o hieróglifo que profetizava o fim do mundo... Segundo o instinto sinistro daqueles nativos e dos farejadores, o dia derradeiro desta abóbora em movimento estaria reservado para 21/12/2012... (A semana que vem!!!). Acreditavam, ou pretendiam fazer as classes inferiores daquela proto-sociedade acreditar que, nessa data, haverá um desbunde cósmico, um engarrafamento de galáxias e um descarrilamento de astros que despedaçará por completo nossas venezianas, nossas antenas de tv, nossos abacateiros, nossos barracos e, claro: nossos esqueletos... Esse planetinha de bosta – segundo os xamãs maias - no dia 21 de dezembro de 2012, saltará aos pedaços de um lado a outro do espaço sideral como bolotas de ping-pong com as águas salobras de todos os mares e de todos os esgotos inundando os destroços e salgando uma por uma as vaidades e as estultícias humanas. etc., etc... Nada muito diferente do que dizem por aí os cristãos de todas as laias, mas principalmente os dos últimos dias...
Mesmo sem cheirar e sem fumar, muita gente acredita! Há quem já recebeu até a extrema-unção! Outros até já doaram todos os seus bens aos pastores! Até
os condenados do Mensalão acreditam que irão livrar-se das grades! etc. No dia 19 e 20 – prestem atenção - haverá caravanas de insensatos indo para as montanhas do interior de Goiás com um saco de arroz integral, umas bardanas e umas ameixas humeboshi na mochila... Parece mentira, mas toda essa burrice flutuante existe. Aliás, de uma cultura que tem como livro de cabeceira o Apocalipse, o que mais se poderia esperar?
Os maias - coitados - apesar de seu panteísmo, apesar de todas as mistificações que os eruditos e os poetas construíram a seu respeito, apesar de seu calendário artesanal e de seus cruéis sacrifícios de crianças na Acrópole de Comalcalco, não conseguiram prever nem mesmo a seca que, lá pelo século XIII, iria cuspi-los quase que definitivamente para fora do planeta...



2 comentários:

  1. http://losmundosdehachero.blogspot.com.es/2012/01/las-dos-vidas-de-gonzalo-guerrero-un.html

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  2. http://vosphotos.blogs.liberation.fr/libe/fin-du-monde/

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