"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sábado, 15 de dezembro de 2012

A delação é mais nojenta que o próprio crime...

 As confissões (que os padres arrancam dos beatos com ameaças do "fogo eterno") que dos presos comuns ainda se continua arrancando com pauladas, socos, chutes, choques, tiros e terrorismo prisional, dos indiciados mais bem relacionados, mais bem vestidos e com contas bancárias mais rechonchudas se está começando a arrancar com a tal delação premiada, essa excrescência que, em termos de "honra" e de autoestima, é sempre bem pior que as labaredas, a cadeia e que o próprio crime... O que o delator ganha em liberdade física, perde em decência, em dignidade e em "amor próprio", principalmente porque sabe que sua delatione, além de facilitar o trabalho da polícia, serve apenas para defender a onipotência do estado, com seus agiotas e com seus cães farejadores, e mais: para eternizar a tirania dessa abstração infernal que tanto para Hobbes como para Nietzsche, sempre foi e sempre será um monstro. 

E é bom que os juízes e os teóricos desse perdão judicial e dessa extorsão premiada saibam: o que realmente poderia interessar à espécie e a qualquer um, algo que realmente viesse amenizar a loucura e o absurdo desta imensa penitenciária que é o mundo, não é, em hipótese nenhuma, confessável e nem delatável... 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário