"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

domingo, 25 de novembro de 2012

Breviário dominical...


Parece que estão querendo desenterrar o velho Yasser Arafat! Quê estranha atração por ossadas a dessa gente... Alguém o teria envenenado... Sim, mas e nós, que comemos pimentões, tomates, cenouras e cebolas diariamente, não estamos indo para o mesmo caminho!? Para o mesmo beleléu e para o mesmo buraco!? Sem ironia, a frase filosófica daquele homem, esteticamente fora dos padrões, que mais me impactou foi esta: "Por maior que seja o buraco em que você se encontra, pense que, por enquanto, ainda não há terra em cima". 
  
Não são apenas os lucros aberrantes dos bancos, das agências de automóveis e das máfias telefônicas que nos lembram diariamente o sucesso absoluto do instinto capitalista... Aquele sujeito esfarrapado e aos pedaços que cobra UM REAL aos colegas do crack para ensinar-lhes como fabricar um mísero cachimbo é o exemplo mais escandaloso e convincente do poder doentio e nato dessa ideologia... 

Se você está interessado e preparado para ler o livreto mais terrível que se escreveu na última década, leia, do aposentado Philip Roth: O animal agonizante... Vejam o que diz nas páginas 89/90: "Quando dois cachorros trepam, parece haver pureza. Eis ali, pensamos, uma foda pura, entre animais. Mas, se pudéssemos conversar com eles, provavelmente iríamos acabar constatando que até mesmo entre os cães existem, em forma canina, essas distorções malucas do anseio, do enrabichamento, da possessividade, até mesmo do amor..."

Todo mundo está apavorado, encolerizado e desesperado com as sucessivas aberrações promovidas pela "esquerda" no poder... Nós não! Sempre apostamos secretamente nesses cabras, exatamente porque víamos que ali estava a única chance de, finalmente, alguém desmontar e pisotear completa e radicalmente todas as ilusões e todas as esperanças que se veio ingenuamente depositando na espécie, no Estado e na República...

   

Um comentário:

  1. Leio sua crônica e fico pensando: - será possível viver sem ilusões? Não estou falando das ilusões delirantes, completamente distantes da realidade, das ilusões insanas. Falo das ilusões permeadas de vida e esperança. Alguém resistiria a tanto e continuaria humano?? Ultimamente ando repleta de perguntas...

    ResponderExcluir