"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

A TORRE DE BABEL DO STF...


Quem assistiu à sessão de hoje à tarde no STF que dava continuidade ao julgamento do mensalão, se ainda tinha alguma esperança, não apenas na justiça, mas no país, a perdeu definitivamente. Não é possível que aqueles senhores, todos de "reconhecido saber" e indicados pela Presidência da República, com suas longas e sofisticadas trajetórias, não consigam sequer administrar com objetividade uma reunião daquela natureza, eleger um método eficiente e prático para definir a tal dosimetria das penas, fazer uso assertivo e adequado da linguagem (consciência das palavras) e decidir definitivamente questões sobre as quais estão debruçados há décadas... 
Assistindo a todo aquele bacanal de ideias, aquele lero-lero de suposições, de idas e vindas, de gentilezas e de coices é de se supor que os réus, que com certeza também estão a espreita, e evidentemente bem mais angustiados e interessados no assunto do que nós, vislumbrem naquela fraqueza e naquela dubiedade toda, tanto a possibilidade surrealista de virem a ser absolvidos e até mesmo indenizados, como a possibilidade trágica de pegarem uma condenação que os obrigará a apodrecerem atrás das grades... Se aqui no STF é assim, imaginem como deve ser a instância correspondente lá nos estados e lá nos cafundós medievais desta república... 
Insisto: toda essa problemática de personalidade que está sistematicamente presente entre nós, seja entre a "nobreza" ou entre a "plebe", entre os "eruditos" ou entre os "analfabetos" é algo estrutural, engendrado ainda lá no primeiro grau. Portanto, se se deseja diminuir futuramente o fiasco, é necessário e com urgência, substituir a pobre "titia" por Mestres de verdade e as baboseiras dos pobres Santo Antônio e Chico Xavier pelas lições elementares de Poincaré e de Descartes...

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