"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

domingo, 14 de outubro de 2012

O PROFETA DO PIAUÍ...

Que tal as profecias e os projetos místicos daquela besta do Piauí?  Se fosse uma exceção... ainda... tudo bem, mas o grave e o trágico é que é uma regra neste território de ignorantes e de analfabetos... Em cada casa e em cada esquina existe uma daquelas "arcas" e dentro dela um delirante de joelhos ou de cócoras aguardando e preparando-se para o fim dos tempos... Neste caso específico, o visionário apenas se excedeu um pouco e foi além dos limites que a justiça e a dita sociedade fomenta, digere e encobre... E, o mais estranho: tanto os parentes como a mãe daquelas crianças, como o pelotão da polícia que o prendeu, como o carcereiro, como os juízes que julgarão o caso pensam e creem exatamente como ele, como esse miserável e como milhões de similares que há por aí. Desnorteados desse jeito? Sim, no máximo, com neuroses esteticamente um pouco mais refinadas... E os cento e tantos idiotas que o acompanhavam? Velhos, velhas, crianças e energúmenos de todas as idades... Bem que uns tragos daquele sangue de rato envenenado - como estava previsto - lhes teria feito um bem imenso... Teriam sido arrematados e subido sem impurezas, como disse uma daquelas pobres senhoras... 
De onde esse Malaquias piauiense tirou a ideia de que a "besta fera" chegaria às 16:00 em ponto e que o mundo iria 
para o saco no dia 12-10-2012? 
Resposta: da bíblia. 
A bíblia, coitada, essa compilação de bobagens tribais, têm inspirado e enlouquecido gente das mais diversas tendências e gêneros, tanto no universo dos eruditos, como no mundão da skoría... Não é por acaso que foi um dos primeiros livros impressos no planeta e que é o mais vendido até hoje... Lugar cativo e supremo no mercado editorial, só ameaçado atualmente pela obra de outro profeta contemporâneo, Paulo Coelho...
Mas não pensem que me iludo com mudanças. Só continuo expressando minha "desdicha" com essas barbaridades, para não deixar que meu teclado enferruje... Não me iludo com a possibilidade de mudanças porque sei que a periferia tanto de Teresina como de 95% do país ainda encarna e vive valores e mal entendidos da Idade Média... E mais: porque sei que somos um tipo de gente inspirado muito mais pelas vísceras que pelo cérebro. Daí ser um equívoco a busca de algum alívio para nossos males na cachaça, na cocaína e na maconha, nos faria muito, mas muito mais bem... a ingestão de anti-helmínticos e de purgantes...

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