"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A VAGINA, DE NAOMI WOLF...



Na loja do iTunes(administrada pela Apple) o título do e-book de Naomi Wolf: Vagina - uma nova biografia, acaba de ser parcialmente censurado. A palavra vagina aparece apenas com o V e com alguns asteriscos como se se tratasse de um palavrão ou de uma blasfêmia. Não faz muito, um outro título, agora de Eve Ensler intitulado Os monólogos da vaginatambém recebeu o mesmo tratamento por essa mesma loja e há mais ou menos um ano o facebook, vítima da mesma fobia, chegou a censurar a famosa pintura de Courbet titulada A origem do mundo, onde esse órgão que parece causar tanto pavor, está escancarado. O que acontece, afinal com esses censores? Seriam homens ou mulheres? Pudicos ou pervertidos? Misóginos ou tarados? Transtornados pelo tesão, pelo pânico ou pelo moralismo? 
Claro que isso não é novidade, pois praticamente todas as religiões fundamentaram seu apartheid contra as mulheres por puro conflito e por pura misoginia, daí talvez a motivação que levou a autora a tentar construir em seu ensaio uma nova biografia sobre a referida "entidade". E todos sabemos que mesmo os "comedores" de plantão, que andam por aí com a mão direita no bolso, com os bigodes empinados e com as tais pilulazinhas nas tripas, não escondem que têm um sentimento estranho e ambíguo por essa "parte" misteriosa e inacessível da mulher... Seria o fato de termos todos nascido por ali? 
Os comerciantes não se cansam de propagandear cremes, perfumes, lubrificantes, truques e mais truques para lidar e tratar a dita cuja... e de quinze em quinze dias as mulheres estão lá, obsessivamente, se depilando como numa estratégia preventiva para não correrem o risco de espantarem o macho...
A literatura antropológica e psicológica está repleta de mitos e de dados culturais a respeito do medo e do cuidado que tanto os homens como as próprias mulheres sempre tiveram com relação à essa peça dos genitais femininos. E é conhecido o relato que o psicanalista Ferenczi anotou em seus casos clínicos da mãe que quando queria intimidar seu filhinho levantava o vestido diante dele e lhe mostrava a vulva... A propósito, na pintura acima, intitulada misteriosamente de Violação, o que Magritte estaria querendo insinuar???
Inclusive os homossexuais masculinos que costumam jurar que fizeram sua opção genital livre e soberanamente, com frequência confessam terem experimentado desde sempre um verdadeiro horror e repugnância pela "tarântula". Tarântula!? Haverá analogia mais terrorífica do que esta?
E as feministas, que nas épocas desvairadas levavam cartazes defendendo a ideia de que nas mulheres não havia outro tipo de orgasmo a não ser o orgasmo clitoriano, não estariam também negando a vagina? 
Claro que existem as exceções, a menina esbelta e sedutora - por exemplo - que num encontro anarquista em Quebec levava orgulhosamente um botonno lado esquerdo de sua jaqueta com a seguinte inscrição: I have a vagina!!! 


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