"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

domingo, 26 de agosto de 2012

As nádegas e as bolas azuis do principe...


De um extremo a outro do planeta a mídia, em sua vagueza, só fala da nudez e do rabo do pequeno babaca Harris que se deixou fotografar pelado em Las Vegas. Não há menininha, balzaquiana ou pederasta que ao mencionar o pequeno monarca despido não deixe escapar um teatral e longo suspiro... Hunnmm!! Hunm! Uhhnnn!!! Pura histeria e pantomima... Até uma agência pornô dessas que disponibiliza na internet sexo com cachorros, macacos e cavalos o teria convidado para encenar um filme “só para adultos” em troca de 10 milhões de dólares. No final da proposta ao Palácio de Buckinghan, os cabotinos e empresários da punheta asseguravam:  «che le scene di sesso saranno ben sceneggiate e che i gioielli della corona non saranno in alcun modo minimizzati».
Desde a lenda de Adão e Eva até estes nossos dias de estupidez prodígiosa o mundo assiste a esse pueril escândalo e a essa doentia ambiguidade com a nudez. Oculta e exibe. Proíbe e libera. Despreza e sacraliza. Demoniza e enaltece. No fundo não é tesão e nem moralismo obsceno o que a nudez provoca, mas uma espécie de horror a memória das entranhas. Dizem que o corpo de nenhum outro animal é tão esdrúxulo como o humano. Daí a promessa dos pornógrafos à monarquia: para não macular a moral vitoriana mostraremos o corpo do príncipe de forma menos degradante do que na realidade é... Esconderemos os buracos, as dobras, as brechas, os regos, os fluídos, as penugens, os vestígios de excrementos e, claro, sufocaremos os grunhidos... Não faremos nada parecido a pornochanchada, será um video angelical e quase divino,  mais uma sutil e subliminar mistificação do sangue azul e da monarquia... Em outras palavras: um ópio doméstico e quase gratuíto para o interminável vício onanista da plebe universal... 
Apesar da onipresente demagogia dos erotômanos, da balela do nu artistico, do nu escultural etc., tenho quase convicção de que se não fosse a maquiagem, o abajur, as tarjas pretas, a miopia e a roupa, a espécie já teria se exterminado há muito, não de tanta libido, evidentemente, mas de tanta paranóia, humilhação, timidez e vergonha...

Um comentário:

  1. pra mim não é o corpo que é esdrúxulo é a mente, veja os índios como eram bem resolvidos com a nudez...até chegar a igreja

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