"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sábado, 7 de abril de 2012

A paixão de Ziraldo...


O pintor jovem que me acompanhava no Museu da República neste sábado da Paixão de Cristo estava boquiaberto com a mediocridade da exposição. Se o autor daquela obra fosse um estudante de Primeiro Grau da Escola Pública -dizia - ainda dava para digerir, mas os cinco ou seis textos dos curadores insistiam que toda aquela barbaridade era do Ziraldo. Que pobreza! Nenhuma chispa de criatividade, de bom gosto e muito menos de genialidade como os panegiristas de plantão insinuavam. A ideia precária, a estética sofrível, o conteúdo uma lástima! Seu gosto e paixão incontida pelos heróis norte americanos está melancolicamente explícita ali naquela sequência de pirataria de mau gosto. Depois do expediente no Pasquim - cochichou-me o moço do lado - devia esconder-se em casa para ler seus heróis ianques. Para amenizar essa paixão considerada reacionária na época, colocou nas mãos de um dos heróis um livro de Chomsky. Ulalá!!! Uma vergonha! Um arremedo simplório e piorado da pop arte? E deve ter ficado muito mal inclusive com os artistas defuntos cuja obra usou como suporte para imprimir essa bobageira toda: Dali, Goya, Hopper, Wathol, Velásquez etc. Curiosamente, não se inspirou em nenhum brasileiro, apenas nos gringos. Enfim, só vendo. Só indo lá para conferir! Um dado curioso é que apenas os desenhos são do Ziraldo, quem os pintou ampliados foi outro artista, apesar de sua importância ter sido reduzida a quase nada e seu nome só aparecer no texto de um dos cinco "curadores". Num desses textos há o relato de que Ziraldo, depois de ver sua obra prima pronta para ser exibida teria dito, cheio de jubilo: "Meu Deus, era isto que eu queria fazer!" Sério? Com 16 anos tudo bem, mas com 79!
Atenção: pode ser que eu esteja exagerando. Pode ser que, sem querer, eu esteja comparando o trabalho de nosso artista que, com seus livretos, já têm influenciado milhões e milhões de crianças e de professoras ingênuas em nossa escolas, com o velho Mucha - por exemplo - que durante toda sua juventude só pintava aqueles cartazes chatos de mulheres, mas que na apoteose de sua vida deu ao mundo os fantásticos painéis sobre os povos eslavos. Ou então, que eu esteja exigindo dele uma ousadia como a do velho Will Eisner – outro exemplo - que no final de sua trajetória saltou de seus quadrinhos quase debilóides para a ilustração dos Protocolos dos Sábios de Sion. É,.. talvez eu esteja realmente querendo o impossível!!!

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