"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

domingo, 25 de março de 2012

Sou um terrorista fracassado, ainda não coloquei uma bomba em minha alma!!! (E.M.Cioran)

A cidade está em alvoroço e a imprensa aproveitou para encher três ou quatro páginas com a prisão em Curitiba dos dois jovens que pregavam ódio contra mulheres, negros, gays, anarquistas, judeus, estrangeiros, nordestinos, esquerdistas etc. e que, segundo as próprias e confessas bravatas na internet, planejavam cometer um atentado contra alunos da Universidade de Brasília. Haja ódio para tanto! Não seria mais fácil declarar logo ódio ao mundo inteiro e jogar-se depois ao mar?! Para odiar, mesmo que fosse apenas os negros, apenas os nordestinos, apenas os estrangeiros etc., já exigiria uma energia imensa, imaginem para odiar tantos grupos e tanta gente ao mesmo tempo... Energia, aliás, que parece ausente e improvável no perfil dos acusados. Skinheads? Mas nem sequer são carecas! Não é fácil odiar! Não é fácil ter 26 ou 32 anos nesses tempos! O risco de vir a ser um babaca, um alienado, um torpe, um racista, um fanático, um presidiário, um frouxo, um beato, um degenerado, um banana ou um terroristazinho suicida é imenso. Eram discípulos de Hitler? Sim, mas de que Hitler? Do Hitler socialista ou do Hitler nazista? Todo mundo sabe que o Fuhrer alemão, assim como Mussolini, antes de descambarem para o fascismo eram socialistas convictos. Ou não?! Odeiam os negros. Por que? Odeiam as mulheres. Por que? Odeiam os anarquistas. Por que?
E por que então não os deixamos falar de seu ódio? De suas cóleras? De suas intolerâncias? O fundo de uma cadeia nunca foi o melhor lugar dos mundos para ninguém, nem para eles e não servirá para esclarecer nada, pelo contrário, sufocará uma temática que interessa verdadeiramente a todos. O Congresso Nacional ou a própria Universidade deveriam convocá-los para que falem aberta e livremente de seus ódios, mais ou menos como fazem com os outros tantos que estão por aí sempre com espaços garantidos para tagarelar horas e horas-a-fio sobre seus amores. Deveriam dispor de uma tribuna para que esclareçam suas desavenças, suas necessidades de vingança, suas crenças e medos. Está mais do que claro que na gênese da grande maioria dos transgressores sociais - e a polícia sabe ou deveria saber - existe uma necessidade imensa (e inconsciente) de ser punido, castigado, preso e esculhambado pelos moralistas de plantão. Qual é o caminho mais fácil para que essa necessidade se concretize? Praticar um crime. O de Toulouse, na semana passada, conseguiu a bala nos miolos pela qual tanto ansiava. O soldado gringo no Afganistão terá sua electric chair. O da Noruega, recentemente, também conseguiu ser enjaulado para sempre. Deixou uma brochura de umas mil e quinhentas páginas sobre seus ódios, nas quais, inclusive, cita o Brasil umas dez vezes. Será que os nossos não levam pelo menos algum bilhete nos bolsos? Não sei se sabem, mas as ações recentes de criminalidade contra o patrimônio, contra os costumes e contra a pessoa, só aqui DF, foram de tirar o chapéu: Cento e onze mil só em 2008 e cento e dez mil só em 2009. Que tal? Estamos ou não estamos em plena e desvairada guerra civil? E quem é que não sabe ou que não intui onde está instalada a usina de todo esse ódio?
Voltando ao assunto, como sabemos que os dois moços presos não foram gerados em proveta nem deixados aqui no Planalto Central por uma aeronave marciana, e como não temos ainda nenhuma prova de que o crime é transmitido geneticamente (apesar das velhas e caducas teorias de Lombroso) é evidente que devem ter sugado essas crenças de algum lugar. Não nasceram odiando as mulheres! É obvio que não nasceram odiando os nordestinos e que não começaram a odiar os judeus ainda quando engatinhavam! Devem ter mamado esses preconceitos, esses preceitos e esses ódios em algum lugar, não é verdade? Em alguma teta, seja na da mãe, na da pátria ou na da cortesã da esquina, não é verdade? Você aí que está palitando os dentes e apenas assistindo de longe os acontecimentos está realmente seguro de que não tem nada a ver com isso? Você aí que se esconde atrás dessa grossa e cara gravata, não vê nesses dois jovens nada que lhe diga respeito? Você aí que têm uma coleção de máscaras em seu armário, onde estava quando esses pseudo-terroristas ainda andavam por aí de fraldas? Você aí que ziguezagueando de falcatruas em falcatruas mudou completamente de status, teria condições de tornar pública sua história e seus mais secretos desejos?

3 comentários:

  1. Sempre um olhar diferente. Aqui abaixo podemos encontrar exemplos de amor que talvez inspirem alguns meninos como esses:

    http://www.domluizbergonzini.com.br/2012/03/gracas-deus-puc-nao-e-uma-progressista.html

    http://www.domluizbergonzini.com.br/2012/03/o-demonio-fechou-o-quadrado-dilma.html

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  2. Um dos filmes que o citado bispo acima recomenda para a conversão de abortistas. Detalhe que a juventude aí apresentada é bem parecida com as daqui. Equiparar nazistas com abortistas é algo bem forte.

    http://www.youtube.com/watch?v=4WL6i0ttRdU

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  3. Todos que queremos "o bem" temos livre direito de expressão (ou quase isso...). Mas pelo menos não pegamos cadeias.
    Nunca vou pregar a favor do ódio e discriminação. Mas sempre me vem a pergunta na cabeça, que coça demais: porque os "discriminadores", pra juntar tudo num lugar só, não podem ter direito de expressão? Por que ferem os direitos humanos de outros? ok. Mas ninguém nunca pensou que não poder se manifestar contra também é uma deturpação do direito do indivíduo "do mal"? Propagar o bem pode a torto e direito, e criar um site nazista não?(se este não for ao extremo da violência...). Ora, não consigo encontrar uma saída.

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