"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sexta-feira, 16 de março de 2012

De cachaça, de ansiolíticos e de autoajuda...


A FIFA e seus dirigentes querem a todo custo que os torcedores, para assistirem aos jogos da Copa também se encharquem de cachaça. Tudo bem! Mas os esportes não se proliferaram pelo mundo exatamente com o pretexto de evitarem o uso de drogas? O alcoolismo não é uma doença que superlota os manicômios e os hospitais? Ah, mas está no contrato! Ah, mas está no contrato! E se estivesse no contrato que os torcedores brasileiros deveriam dar o rabo aos torcedores estrangeiros antes de entrarem nos estádios???

Os fabricantes e falsificadores de cocaína, de crack, de merla, de cigarros e de outras merdas do gênero querem a todo custo que os pobres, os remediados e os ricos, que os jovens e os velhos apodreçam seus pulmões e seu SNC fumando e cheirando. Que horror! Sim, mas está no contrato do tráfico!

Os fabricantes de hormônios, de agrotóxicos e de inseticidas, com a cumplicidades do pequeno e do grande latifúndio obrigam a população a comer pimentões, morangos, tomates, feijão, carnes e outras merdas literalmente envenenadas. Que irresponsabilidade! Sim, mas está no contrato, é a lei do mercado e do comércio!

As multinacionais dos medicamentos, cumpliciadas com farmácias e médicos querem a todo custo e cada vez mais que os sujeitos vivam “felizes” e produtivos às custas de ansiolíticos e de antidepressivos. Que insanidade! Sim, mas está no contrato social, tem o respaldo da OMS e dos mais recentes protocolos…

O partido que passou décadas jurando que se chegasse ao poder revolucionaria a cloaca da política está aí fazendo coligações e conchavos com a bandidagem mais desprezível. Ah, mas é assim mesmo! É assim que se joga numa República democrática! E mais, está no Contrato Constitucional!

Os editores, os livreiros e os milhares de agentes culturais que pululam como piolhos por aí não se cansam da falar em “promoção da leitura”, na “importância” quase sagrada do livro, das bibliotecas, do saber etc., só que na última década na lista dos mais vendidos não constou nada além dos vinte ou trinta livretos vagabundos publicados pelas mesmas patotas de sempre ou então, aqueles de autoajuda reeditados por padres...

Portanto, chega desse otimismo barato, dessa hipocrisia e desse teatro "revolucionário"! Como diria Vargas Vila: “Me enoja vê-los por aí gritando e fazendo gestos libertários enquanto sacodem no ar vossos punhos acorrentados”

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