"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Edward Munch: (pinceladas de melancolia...)









Um comentário:

  1. Pinceladas que mostram nosso grito de uma angustia vazia, um grito sem sons, mudo. Almas mortas que insistem em preencher o vácuo da existência com auto-ilusões. Uma busca desesperada do não-ser para justificar uma existência desprovida de sentido. Ser no mundo é de certa forma saqueá-lo; invejar e tomar para si a concretude das coisas e a imaginação do Outro sabendo que esta saciedade é efêmera como o ar que escapa a um moribundo. A fé e a lascívia, a solidão e a comunhão,e outros brinquedos efêmeros que se reduzem às cinzas de um fogo de palha são o nosso tormento. O drama da modernidade pode ser uma culpa abrasadora escondida sobre as cinzas de suas pretensões megalomaníacas. Experimentar a vacuidade dos fundamentos do universo é o nosso extremo ato de criação. Mesmo assim, “depois de termos feito da morte uma afirmação da vida, convertido o seu abismo numa ficção salutar, (…), ronda-nos o marasmo: é a desforra da nossa bílis, da nossa natureza(...). O Nada era, sem dúvida, mais cômodo. Como é difícil dissolver-se no Ser!” (Cioran)

    ResponderExcluir