"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Quem trepa e quem rouba melhor...

Lá pelos anos 90 entrevistando uma atriz ou diretora de teatro alguém lhe perguntou quem era melhor de cama, o pessoal de “esquerda” ou o pessoal de “direita”? A atriz, que por sinal era de “esquerda”, foi enfática: o pessoal da direita é astronomicamente melhor!!! Na época fiquei profundamente encolerizado com aquela “vaca revisionista”, mas agora, com outras questões que o cotidiano vem colocando em evidencia, acho até que ela tinha razão e que também em outros assuntos a direita foi e é muito mais eficiente. Me refiro à corrupção. É irritante a incompetência da “esquerda” com assuntos ligados à corrupção. Cada semana está caindo um ministro! Cada semana um prefeito é preso! Uma ONG é enquadrada! Um assessor pede para sair! Um “consultor” tenta explicar-se e é enjaulado... Recebem dinheiro aqui e ali como se estivessem recebendo batatas, como se estivessem além do bem e do mal e prevaricando num universo de cegos. Que porra é essa? Na época da direita – quando a corrupção era igual ou até maior que a de agora -, ninguém caia assim tão singelamente. Você via o sujeito passar meteoricamente de um casebre de palha para uma mansão de vidro fumê sem pestanejar; trocar uma bicicleta por uma BMW com a postura de um nobre; comprar a vista uma fazenda já com 600 vacas prenhes dentro como se sua infância tivesse se passado no interior de um haras. Você encontrava ex-pés-de-chilelo tomando sorvete calmamente em Paris com sogra e tudo como se estivesse em Bom Jesus da Lapa. Via o sujeito financiar o luxo de três amantes como se fosse descendente de Casanova; ir para as ilhas do Caribe com mochilas repletas de notas como se estivesse indo fazer pic-nique num vilarejo goiano etc., etc., etc., Nada de vestígios. E ninguém caia. Todo mundo tinha recibos, notas fiscais, um “tio” general, um parente no Congresso, comprovações de herança, gente respeitável que testemunhava a seu favor, padres que os comungavam, bilhetes de loteria sorteados, “avós milionários”, álibis perfeitos etc., etc., etc. Aquela trupe sim – isto ninguém poderá negar - dominava mais do que ninguém a arte de roubar e de lavar dinheiro. Todos doutores no truque de converter notas sujas da rapina em dinheiro vivo e limpíssimo. Suas mulheres passavam de broncas donas de casa a sofisticadas donas de boutiques (só de fachada) do dia para a noite; seus filhos abriam academias (só de fachada); montavam faculdades, cursos de inglês, agencias de turismo; jornais; construíam prédios e até igrejas, Investiam pesado no mercado imobiliário, em bancos, em ouro, joias... Contas no exterior, até criador de galos de briga tinha! E tudo legal! Transparente! Sem nenhum rastro de prevaricação pelo caminho. Nada de vídeos, de impressões digitais, fotos, notas numeradas, movimentações bancárias, dinheiro nas cuecas ou amontoado em casa no meio das gravatas. Gente sóbria! Esperta. Nunca precisaram mandar matar alguém por motivos dessa ordem. Incorporavam os milhões a seus históricos quase de indigentes com uma maestria de causar inveja. A parte do partido era sagrada. Depois vinha a parte do chefão principal, depois o chefe standard e depois os chefetes bucha de canhão. Mas tudo com classe, categoria, honra. Muitos desses gênios ainda estão na cúspide do poder e do parlamento dando um verdadeiro show de como desviar dinheiro do Estado para si mesmo e para suas famílias sem deixar pistas. Seus pares, a polícia, a receita, o populacho em geral sabe de tudo em detalhes, mas prefere apodrecer na miséria e na degradação a ter que sair da letargia. Uma nação de “coitadinhos”! Eis aí o homem que não é uma abstração, aquele que, como dizia Maiakovski ou outro russo qualquer, não passa sem sua sopa de repolho.

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