"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Kadafi e as areias do deserto...

Por mais desgraçado e terrível que tenha sido o fim de vida do Kadafi, ninguém poderá negar a poética e o significado transcendente que há em ser enterrado anonimamente nas areias do deserto. Quais de seus verdugos terá um destino semelhante? Nenhum. O Sarkozy, provavelmente, irá para o monótono e turístico Cemitério de Montmartre; o Berlusconi, se não for jogado para os cães, se desintegrará nos barulhentos arredores romanos; o Obama será burocraticamente depositado ao lado de outros do mesmo naipe etc., etc. Kadafi, exótico em vida & exótico na morte! Mesmo a fila para ver seu corpo crivado de balas e apodrecendo, ficou evidente, foi muito mais uma manifestação de idolatria e de culpa do que de ódio e de desprezo. Como depressão pós assassinato e numa tentativa de reparação a turba ensanguentada lhe devolveu a solidão absoluta das areias e as noites intermináveis do deserto. O que mais poderia desejar deste planeta desvairado um autêntico beduíno? Se Kadafi tivesse tido tempo de pronunciar uma frase a respeito de seu destino, com certeza recitaria esta da sabedoria popular árabe: “se teu cão passa fome, qualquer pessoa que oferecer-lhe um pedaço de comida conseguirá afastá-lo de ti".

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