"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sábado, 17 de setembro de 2011

Lamento de uma mulher de oitenta anos...

ELA – Por que nunca sonho com meu marido, se todo mundo sonha? Nesses dois anos o que mais quis foi poder vê-lo, mesmo que fosse em sonhos… Gostaria de encontrar alguem que abrisse aquela tumba… Como deve estar seu corpo?

EU – Irreconhecível.

ELA – Levantei-lhe as pálpebras e vi seus olhinhos negros. Beijei-lhe a boca, mas só depois de retirar o batom. Por que as funerárias passam batom nos lábios dos mortos?

EU – Para cobrar mais caro pelo enterro.

ELA – Com o próprio véu que caia sobre sua face limpei-lhe a boca - meu marido não era viado – foi nosso último beijo. Frio, muito frio, talvez até mesmo mais frio que a própria morte...

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