"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Brasília estrebuchando sobre os caldeirões do inferno...


Brasília amanheceu coberta por uma fumaceira que parecia vir das quatro principais caldeiras do inferno. O sonho de Dom Bosco de que aqui, de um dia para outro haveria de verter melado, ácido lisérgico e pão de ló das esquisitas árvores do cerrado só pode ter sido um mal entendido. Ao contrário do bonheur propalado pela corja otimista, só o sol devorando as telharias, incêndios, fuligem, poeira e as estonteantes e conhecidas alucinações de deserto. Nas paredes de uma cadeia desativada alguem rabiscou esta frase de Clausewitz: "A guerra é a continuação da política por outros meios". E logo abaixo, outro anônimo replicou com a tese de Foucault: "A política é a continuação da guerra por outros meios". Neste mês de setembro não há por aqui quem não inveje os tatus, as víboras, os defuntos e todos os outros bichos subterrâneos que estão a salvo desses raios malignos, e não falta muito para que os carpinteiros e os pedreiros concluam que, a partir de agora, as cidades devem crescer para baixo e não para cima. Ou então, que as ruas sejam todas cobertas por caramanchões e refrescadas por fontes minerais e por geleiras artificiais e que ao invés das ruas de piche e de asfalto se construam canais e que no lugar dos carros, dessas latarias e ferros velhos que envenenam a vida com barulho e gás carbonico, os habitantes (claro que apenas 1/3 do que há hoje por aí) deslizem e namorem sobre pequenas gondolas movidas a bateria, vento ou a remo… Enquanto isso, os jornais não param de aterrorizar as massas com fotos de cadáveres e com a informação de que nos ultimos meses os estupros e os assassinatos aumentaram 46% aqui na urbe e mais, sob as barbas das mais variadas e especializadas “forças armadas”. Conclusão: só o que é instintivo e vil progride! Todas as campanhas governamentais, clericais e paranormais que parecem ser piores que o “mal” que pretendem combater não passam de negócios, de demagogia e não servem para nada. Aliás, quando você que se orgulha de ser um membro do lupemproletariado ou um já novo rato da classe média souber quanto custam os minutos de chavões publicitários, por quem e como são produzidos, lhe cairão imediatamente essas potentes, sinistras e sorridentes mandíbulas.

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