"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Duraleques Ce De Lequis ou o Deputado Tiririca e os loucos do Congresso Nacional...





No mesmo dia em que o Deputado Tiririca diagnosticou o Congresso Nacional como sendo uma fábrica de loucos descobriram por acaso na parte interna da cúpula do plenário da Câmara uns rabiscos filosóficos feitos a lápis pelos candangos que trabalharam quase como escravos na construção de Brasília. Os tais rabiscos, apesar de terem sido considerados pelos demagogos de turno quase tão importantes quanto os hieróglifos egípcios, deixam visíveis em sua simplicidade apenas as marcas do analfabetismo da época (igual ao de hoje) e também a descrença, a desconfiança e a desolação daqueles homens para com a pátria e para com seus gigolôs: “Si todos os brasileiros focem diginos de honra e honestidade, - diz um deles - teríamos um Brazil bem melhor”. “Só temos esperanças nos brasileiros de amanhã” - diz outro. Um daqueles pobres operários chegou a rabiscar em latin candango o mais hipócrita e opressor slogan do direito romano: Duraleques Ce De Lequis! Para mim, a mais melancólica e sinistra das frases e que parece ter saído de um oraculista alquebrado é esta: "Que os homens de amanhã que aqui vierem tenham compaixão dos nossos filhos e que a lei se cumpra".


Desde o mais distante e tenebroso rincão da morte aqueles pobres peões devem olhar para todas as roubalheiras e as encenações de hoje com mais ceticismo e com mais desesperança ainda que outrora.



Já correm boatos ali pela rodoviária e ali pelo aeroporto que haveria outra frase (apócrifa?) naquelas paredes e que diria mais ou menos assim: “Eu, fulano de tal, trabalhando como escravo aqui, neste inferno de Goiás, neste ano terrível de 1959 e mais de dez horas por dia apenas para pagar minha comida e os trapos de meus dez filhos, eu que tenho visto malas e mais malas de dinheiro sujo passando por debaixo dos andaimes e pelo meio dos sacos de cimento para as mãos dos larápios mais refinados, mais idealizados e mais insuspeitos, sinto até um certo asco por estar empilhando tijolos e colaborando na edificação desta casa que, com certeza, será ainda por décadas e mais décadas um covil e uma academia de bandidos!


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