"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

CRITICA DA RAZÃO TUPINIQUIM...


Nestes dias quase deserticos de final de julho e princípio de agosto voltei a reler o livro espetacular do filósofo Roberto Gomes intitulado Crítica da razão tupiniquim. Quem quiser entender minimamente as raízes de nosso caos social, dessa guerra civil silenciosa, desse descontrole doentio de natalidade, dessa roubalheira epidêmica, descarada e cínica, dessa mentirada atávica e nunca vista antes no mundo, desse espírito passivo, conciliador, eclético e vaselina, desse sucateamento do desejo e tudo o mais, deve lê-lo. Aos que odeiam livros e não perderiam tempo com “idiotices” desse tipo, ofereço de graça alguns dos trechos que sublinhei há uns vinte anos atrás:

1. O brasileiro aliena-se de dois modos: rindo de sua sem-importância ou delirando em torno do “país do futuro” em variados “anauês”;

2. Não encontramos nada que possa denunciar a presença de um pensamento brasileiro entre nossos “filósofos oficiais”, vítimas de um discurso que não pensa, delira;

3. Duas são as coisas que o homem sério faz ao chegar ao poder: instaura a censura e constroi suntuosos museus e teatros e distribui prêmios literários… São duas as maneiras de aniquilar com o artista: censurando-o ou promovendo-o a uma espécie de ornamento social;

4. Se diz que qualquer personalidade mundial, com dois dias de Brasil, já não seria mais levada a sério;

5. A partir do momento em que a filosofia adquire respeitabilidade, pode conseguir tudo – verbas, diplomas, honrarias, imortalidades acadêmicas – menos o essencial: espírito crítico;

6. A propósito, cabe alertar que no meio não está a virtude, como muitos pensam, no meio está o medíocre;

7. Não, o tempo não é experiência. Pode ser esclerose;

8. Conciliador, obediente e cordial, o brasileiro jamais conduz as questões àquele nível em que geram um limite sem retorno;

9. Os partidos políticos têm apresentado entre nós a oposição mais estranha: nenhuma.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Interessante estas passagens do livro. Irei procurar um exemplar para compra e leitura.

    Gostei de seu blog. Passarei mais vezes aqui.

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