"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

segunda-feira, 4 de julho de 2011

BREVIÁRIO DE ERRÂNCIA (Filosofando com a borduna de Caim) IV

...A potência desta cidade me faz bem. A solidão, o atraso e a desordem dos trópicos ainda haverá de ser agregada aos protocolos internacionais de patologias. Abro meu Secret London, an unusual guide e visito em pensamentos todos aqueles lugares, com seus mistérios e arcanos. Caim deve tê-los conhecido todos, ele que desenhou o abismo como arquétipo da mãe amante e apavorante. Ele que foi o teórico da desobediência Civil, contrário à todas as formas de redenção e adversário de qualquer tipo de abnegação. Jung equivocou-se quando elegeu Adão como símbolo do Homem Cósmico. A totalidade primordial de todas as energias psíquicas seria melhor representada por Caim. Caim, repito, Ahsvero, aquele que por ter dado uns cascudos em Jesus durante o interrogatório a que lhe fazia Caifás foi amaldiçoado e obrigado a peregrinar pela terra até o fim do mundo. Que castigo invejável! Caim Herodes! Caim líder dos anões, desses excelentes ferreiros que exercem sua função no centro da terra. São eles que, através do vulcão chileno estão lançando cinzas sobre Buenos Aires. E foi Caim quem inventou a tatuagem e que escreveu também o Apocalipse, esse que é considerado pelos dementes o último livro canônico. Estive pessoalmente lá em Patmos, em sua caverna, a caverna onde o texto foi escrito. Caim, ele próprio era a prostituta da Babilônia, vestida de escarlate e purpura, segurando na mão esquerda uma taça transbordante de abominações. E foi Caim que me vendeu dois bilhetes de Patmos para a Turquia num barco precário que esteve a deriva por horas e que por pouco não foi sepultado nos abismos do Mar Egeu... (P. 108)


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