"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Mysterium tremendum et fascinosum...


Neste final de semana, como de rotina, 07 assassinatos nos arredores do Distrito Federal onde, apesar do silêncio das autoridades e dos poetas, vive-se como em uma autêntica Idade Média. A polícia vai lá torcendo o nariz, anota alguns dados superficiais do acontecido, (faca, tiro, paulada, veneno etc.,) enfia o cadáver no camburão, atualiza as estatísticas, atribui a culpa às drogas, compartilha as informações principais com a mídia, esta cumpre sua pauta matutina com uma pseudo classe média dorminhoca e com seus patrocinadores e estamos conversados. O que deveria ser motivo até para se pensar num Estado de sítio imediato, não move uma folha sequer – parafraseando a Bobbio – dessa floresta imensa e porca que é a sociedade. Passou-se a semana inteira falando nefastamente sobre o affair Palocci, com suas “consultorias” e com suas fortunas clandestinas. Sinceramente, a quantidade e a origem do dinheiro, o pedigree de seus “clientes” e outras barbaridades são até secundárias neste momento, o que é verdadeiramente insólito, broxante – revolucionariamente falando - e até cômico, é imaginá-lo, como um ex-militante das Pastorais cristãs e das causas perdidas proletárias ou como um ex-socialista com tempero comunista se locomovendo de pantufas, pijama ou de gravata dentro de um apartamento de quase cinco milhões de dólares. Isto sim, companheiros, sinceramente, não tem nada a ver. É ridículo, coisa de tupiniquim deslumbrado, uma traição, no mínimo simbólica, ao populacho. Mysterium tremendum et fascinosum!!!

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