"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Notícias de Lilipute 6

Aqueles que gostam de conhecer as cidades a pé, sair de casa pela manhã e só voltar a noite, é bom já nos primeiros dias ir mapeando as toaletes disponíveis nos trajetos de vagabundagem e de errância. Apesar de Londres ser muito bem servida de mijatórios, dependendo de onde você está, da temperatura (e da idade que você tem) o risco de mijar nas calças sempre existe. A toalete da Art Galery, por estar por Piccadilly etc, é uma das minhas preferidas e das de mais fácil acesso por aqui. Entra-se no salão principal, dobra-se à direita em direção ao café, desce-se por uma escada preta de granito, dobra-se agora à esquerda, desce-se uns degraus e pronto. Ufa! Nada melhor que uma boa mijada! Muito boa também é a do British Library, ali onde o velho Marx escreveu praticamente toda sua obra. Algumas estações de metrô têm as suas, o Museu Sherlock Holmes também, modesta mas util. As do Strabuch café têm me quebrado o galho várias vezes. A do Mac Donald de Paddington foi de máxima importância depois de ter ingerido um café americano que aqui é mais ou menos um litro. Quem já viveu em outras grandes cidades percebe logo que os ingleses deram uma atenção especial a essa necessidade ignóbil e sucateada do ser humano. Fico sempre tentando entender como a humanidade adaptou-se tão fácilmente a esse papel e a esse destino de subdesenvolvimento de alambique... Frequentemente há indicações nas ruas tipo: toaletes a 100 metros. Toalete no Hyde Park, no andar de cima etc. A de um restaurante asiático perto do cemitério Thompson só se pode usar se se for também comer ou beber alguma coisa. Beber? Ora minha senhora? Estou a fim de fazer exatamente o contrário!!! A do Restaurante Mr. WU no Chinatown, que fica no andar de cima é bom usá-la antes de sair, mas sempre depois de já ter comido. No Covent Garden, há várias. Em frente a The Royal Courts of Justice existem duas subterrâneas, uma para ladies e outra para gentlemen. A única até agora que tive que pagar (50 pounds) vejam que descaramento, foi a que fica na Catedral Saint Paul, onde uma placa indica que ela e outros locais sagrados dali são administrados por uma tal de Paternoster Lodge. Ora, Pater nostre! E no rabo, não vai nada???

Um comentário:

  1. Lembrei-me do centro da cidade do Rio de janeiro (gargalhadas)... Em um desses dias em que eu estava vagabudeando pela cidade, no meu destinado horário de almoço, sem bolsa, dechinelos, carregando apenas uma máquina fotográfica que custa 100 reais, eu resolvi entrar nas inúmeras igrejas nos arredores do Centro do Rio, para fotografar... Só na região do Saara eu entre em umas 6 igrejinhas. Algumas com preciosas obras de arte barroca, e outras deterioradas pelo tempo como casebres velhos em estado de demolição. Devido aos roubos de seus ornamentos, alguns ainda banhados a ouro, elas estão quase o tempo todo fechadas, e só abrem algums poucas horas do dia para uma ou outra missa. Em uma delas eu não consegui nem entrar, devido ao odor de mofo e umidade, amiguinhos da minha alergia... Outra, eu fui assustada pela presença repentina de um velho padre, que deveria ter uns 100 anos, de olhos bem azuis, e com um sotaque tão arrastado que embaralhava o português, que tentou me explicar as origens dos artefatos de sua igreja. Ha, eu já ia me esquecendo, nesse dia além de eu ter esquecido que tinha que retornar para o meu presídio em 1 ou 2 horas, o trabalho, enquanto peregrinava, esqueci-me das minhas necessidades fisiológicas, e quando percebi, bateu um certo desespero, porque não há banheiros públicos na redondeza, e pensei comigo mesma: - Já sou "marginalizada" dentro da Empresa, agora imagina eu chegar atrasada e mijada, três horas depois de ter saído para o almoço? Nossa, aí sim, eles vão me conduzir à uma aposentadoria por invalidez...

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