"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

domingo, 8 de maio de 2011

Notícias de Lilipute 4


Pode-se adjetivar este povo de quase tudo, menos de ingratidão para com seus aliados. Edificaram em bronze até um monumento (Animals in war) aqui numa avenida paralela ao Hyde Park em homenagem aos animais que os auxiliaram nas guerras mundo a fora. Uma mula, um burro, um cavalo e um cachorro,  representam também os ausentes. Que outro povo teve um gesto assim, digamos, de tanta delicadeza?
Apesar dos guías e das expectativas, o famoso Market de Portobelo parece nossa Feira do Guará aí na periferia de Brasília, com as mesmas bobagens e as mesmas porcarias globalizadas. Enquanto rabisco estas linhas alguém solta uma exclamação pueril diante de uma camiseta com a inscrição: Humain being. Outra mais infantil ainda:  I love Notting Hill!!! Prestem atenção, senhores pedagogos, como a infantilização do mundo segue sua marcha a todo vapor. Mesmo assim, está todo mundo aí se acotovelando como se acreditassem encontrar a Pedra Filosofal. Só os HOMENS DE ESTADO e os COMERCIANTES são maduros, pragmáticos, calculistas (a polícia, os fiscais do metrô, os cobradores de impostos, os leões de chácara das boates, os donos dos trustes...
Se por alguma razão não necessitassemos mais comer, o mundo – paradoxalmente – entraria em colapso. Tudo gira ao redor da comida, principalmente o turismo e as noitadas. As festas de sábado a noite no perímetro do Covent Garden, Picaddilly, Soho, Chinatown etc., são realmente inigualáveis. Alguns acreditam que existe uma ala do inferno exatamente assim, de pura luxuria, a qual o diabo garante que liberará para seus camaradas. Claro que nos vozerões dos bebedores e nos gritinhos das moças e dos delicados se pode adivinhar uma certa e exagerada ingenuidade, aquela ingenuidade única de quem sabe que amanhecerá o dia sem que tenha havido meia dúzia de baleados ou uma chacina...
Quando não se fala o idioma do país que se visita, é necessário seguir rigorosamente uma regra básica: ao interagir verbalmente com algúm nativo, registre apenas a primeira, a do meio e a última palavra das frases. O resto é lixo. Com essas 3 palavras você terá a compreensão que realmente lhe interessa. Lembre-se que o mundo está cada vez mais tagarela, todo mundo falando ao mesmo tempo como se tivesse esquecido das duas velhas e não tão limpas orelhas. E, depois, prestem atenção como os diálogos realmente verdadeiros e interativos são praticamente só aqueles em que os interlocutores estão brigando ou se amaldiçoando mutuamente...
Acho que ninguém fez ainda um trabalho acadêmico sobre os bolsos, esses buracos nas vestes e nas roupas onde as pessoas enfiam coisas de todos os tipos. Observem como é algo insólito uma pessoa se apalpando em busca de algo, de um pen drive, de uma moeda, um documento, um mapa, a carteira ou qualquer coisa parecida. O senhor que sai da Estação de Oxford Street – por exemplo -  mete as mãos nos bolsos das calças, depois a direita no bolso do casaco, a esquerda procura o da camisa que está por debaixo de uma blusa. Não encontrando o que busca recorre com os dedos aos pequenos que ficam sobre os grandes e quase sob o cinto. Nada. Mas não desiste porque tem outros na manga da camisa, os detrás das calças, um na cúpula do chapeu, um interno onde leva o dinheiro escondido, outro nas cuecas, outro só para o passaporte etc, etc, etc,  Que porra é essa camarada???
Dos sete cemitérios de Londres visitei três. Abaixo uma série de fotos do  de Brompton, com seus corvos. Você que gosta de cinema (e de quase tudo o que os outros fazem) deve saber que foi nele que rodaram um dos filmes de Sherlock Holmes.













Um comentário:

  1. Salve Ezio Bazzo! Salve Lilipute! Londres jamais será a mesma depois do teu olhar!

    ResponderExcluir