"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

terça-feira, 24 de maio de 2011

Notícias de Lilipute 12

Quem quiser encontrar italianos nem precisa ir à Itália, é só vir para cá. Parece que entraram em férias todos de uma só vez. E a frase que mais se ouve desses camponeses natos é: ma non se capice un catzo!!! Assim como me admira muito que os portugueses tenham conseguido navegar por tantos mares sem naufragar definitivamente, me intriga na mesma intensidade o fato dos italianos terem conseguido construir um império e o sustentado por tanto tempo. Madona!!! E o mais curioso é que até isto aqui já foi comandado por eles. É, sob a espada de Julio Cesare, (o Berlusconi ainda não existia) no ano 55 antes da lenda de cristo. Visitando a praça onde viveu Bernard Shaw, Virginia Wolf e companhia, ouvi um guía de identidade desconhecida dando uma verdadeira aula de história para seus seguidores do Leste europeu: Londres Romana – dizia -, Londres Medieval, Londres Elisabetana, Londres Georgiana, Londres Vitoriana etc. No porão de uma taberna que existe aqui por perto, Thomas Dylan e Georges Orwel apareciam sistematicamente para tomar uns tragos. Orwel, todo mundo sabe, foi aquele que escreveu, entre outras coisas, Na penúria em Paris e Londres. E por falar em penúria, voltei ao Harrod’s para comprar um presentinho para meu cachorro e todo mundo ainda estava lá se acotovelando. Passa-se um mês por aqui e normalmente não se faz contato com nenhum nativo, isto é, com nenhum inglês puro sangue. O pessoal de um restaurante é árabe, do outro são indianos, o mais sofisticado um pouco é de franceses, a pizzaria é napolitana, o Chinatown nem precisa falar. O taxista veio da bulgária, os motoristas dos ônibus são negros, a mulher da lavanderia é alemã, a camareira é de Budapeste, o cara da joalheria é judeu, os leões-de-chácara dos nightclubs são 100% negros, os irmãos da Lan House da esquina são do Marrocos, a senhora mendiga que fica em Marble Arch é cigana da romênia, os funcionários do metrô são africanos, albaneses etc.; a mulher a quem pago o albergue é de Portugal; o sorveteiro lá de Oxford Circus é brasileiro, as caixas dos mercados são da india, Ásia em geral ou do Oriente Médio; as moças da profissão milenar ou do lupanar de Babel estão mais globalizadas do que nunca; as loiras lá das boutiques de Piccadilly são russas, as massagistas são tailandezas, os funcionários da rede Pret a manger são da Itália, da Espanha, da República Tcheca, a dançarina de foxtrote no Café Paris é argentina, o barbeiro é grego, dos travestis lá do Soho muitos são brasileiros; os garis são latino americanos, etc, etc, etc, e até a Madame Tussaud (aquela velha do museu de cêra) era francesa. Onde estão afinal os puro sangue? Sair daqui dizendo que os ingleses são isto ou são aquilo é de uma ingenuidade sem precedentes!!! O mundo não acabou no dia 21 como diziam uns idiotas pelo planeta a fora, mas o vulcão começou a vomitar novamente e isto pode, quem sabe, atrapalhar minha volta...

De longe o grito parecia mencionar Chirac! Porra, mas o Chirac já morreu há tanto tempo!!! Pensava. Mais uns cinquenta metros e me vi, em plena terça-feira, no meio de uma manifestação fervorosa. O grito de guerra não era Chirac, evidentemente, mas Jihad. Os malucos e as malucas do Islã estavam ali, em plena Whitehall, frente ao monumento aos homens da II Guerra Mundial, cercados por policiais de todos os naipes gritando contra o Obama e afirmando, entre outras coisas, que o Islamismo dominará o mundo. Enquanto ia fazendo as fotos (abaixo) resmungava, mas só para mim mesmo: sorte que quando isto acontecer eu já estarei pra lá, mas bem pra lá de Marrakech...









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