"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

OUTRO HOMEM QUASE APÁTRIDA & QUASE IMPATRIÓTICO...

Sacrifiquei minha sesta e meu ócio improdutivo para ir ver o homem de 38 anos que subiu ao mastro da bandeira ali em frente o STF, chamuscou o símbolo máximo da PÁTRIA, disse umas boas a alguns políticos, à polícia etc., ficou lá umas três horas e depois desceu cuidadosamente por aquelas vigas circulares de aço em meio a um aparato desnecessário, exagerado e cinematográfico de policiais, bombeiros, ambulâncias, camburões e jornalistas... Levava numa mochila de plástico amarela dois recipientes com gasolina, uma corda, uns pedaços de madeira e outras porcarias típicas de um andarilho. Tive seu rosto bem focado no interior de minha teleobjetiva mas como ele estava de braços levantados neguei-me a dar o clic. Nada é mais humilhante e indigno do que um homem subjugado e de braços levantados com outros o apalpando em busca de uma "arma secreta" de um canivete, de  uma caixa de fósforos, de uma ilegalidade qualquer, de um desejo impatriótico ou de um patuá envenenado... Quando foi levado do local, parece que uma depressão súbita se abateu sobre aquele exército de demi-funcionários que haviam saído de suas "agências" com a expectativa (e com a ordem) de gravar outra sinistrose, mais uma tragédia, outro escândalo para o noticiário febril da noite... 

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