"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quinta-feira, 31 de março de 2011

E NAS DITAS REPÚBLICAS DEMOCRÁTICAS até mesmo no reino dos mortos há sujeitos de PRIMEIRA e sujeitos de SEGUNDA.

As honras fúnebres dispensadas pelo Estado, pela mídia e até mesmo pelos sindicatos ao simpático ex-vice presidente deixam claro que a República, a Democracia e o caráter duvidoso do populacho dão valores desiguais a cadáveres semelhantes e que, apesar da hipocrisia generalizada só existem dois deuses para todas as religiões e para todas as classes: O PODER E O DINHEIRO. Um rico morto mobiliza abutres de todos os pedigrees e de todos os rincões. Um miserável anônimo morto não atrai nem mesmo as hienas. Enquanto velavam o cadáver do vice ali no Palácio, só em um dos vilarejos periféricos do DF a polícia recolhia um dúzia de cadáveres de adolescentes esfaqueados, degolados, retirados podres dos bueiros, enforcados, crivados de balas e com os olhos estatelados de tanta desgraça. Enquanto um cardeal encomendava a alma do morto lá no Palácio, na periferia infernal os coveiros amaldiçoavam o dever e o incomodo de enterrar aqueles corpos ensangüentados e putrefatos. Um é exibido em dois ou três velórios, os outros até mortos são vistos como entulho social. Um corre o risco de virar santo, os outros estarão sempre na lista dos malditos. Um defunto alberga uma alma, os outros apenas flatulências e gases. Enquanto a “monarquia” com seus óculos escuros e suas lágrimas de ouro se esfregava lá ao lado do caixão do ex-vice-presidente, nos corredores de nossos “hospitais de referência” dezenas de velhos desorientados entravam em coma, mulheres enlouquecidas se entrincheiravam pelos cantos entre adolescentes abortando e loucos desesperados... isto, sem falar de outras centenas em fila ou amontoados exibindo suas chagas macabras uns para os outros certos de apenas uma coisa: o Estado, esse monstro, com seus vermes de plantão, haverá, um dia, de lhes garantir seus dez ou doze palmos de terra onde camuflar seus restos... Para um uma salva de tiros de artilharia, para outros, apenas uma bala no coração. As cinzas de um ficarão no altar-mor de uma igreja, os ossos dos outros serão roídos pela cachorrada noturna... Observem como, apesar dos malandros que andam por aí choramingando, prevaricando e dourando a pílula, na essência as coisas não mudaram nada da época do neolítico até hoje. Tudo segue sendo regido pela canalha e pela avareza! O único vício que conheço no universo é a avareza – dizia o verborrágico Cícero. Todos os outros, não importa os nomes que se lhe deem, não são mais que tonalidades dessa mesma perversão... Que miséria!!!

domingo, 27 de março de 2011

A MAGIA DO RAPÉ ou a transição do pó preto para o pó branco...

Apesar de ter sido rápida a transição do pó preto para o pó branco, muita gente, e de todas as idades e sexos, ainda vem religiosamente aos sábados de manhã comprar suas latinhas de rapé aqui na Feira Livre de Sobradinho. Com tipo de forasteiro paga-se dois reais a unidade, com trejeitos locais 1,40. Mesmo no meio de todo esse atraso e medievalismo alguns já passam o produto para suas caixinhas fashion, quase sempre de prata, e dão logo umas boas cheiradas aqui mesmo. Se o produto é de qualidade explodem de imediato dois ou três espirros e lá se vai o bacilo de Kock livremente para a feira. Se não é grande coisa o sujeito dá umas fungadas daqui, outra dali e sai meio decepcionado coçando o saco pelos labirintos do lugar. Comprei cinco latinhas de marcas diferentes, mas havia pelo menos umas dez. Rapé Imburana, Dama da Noite, Cacitral, Moeda, Pai-João etc. No rótulo está tanto a proibição da venda para menores de 18 anos como o CNPJ e a informação de que todos são produzidos em MG. A velhinha trêmula que os negociava abriu latinha por latinha e as aproximou de meu nariz para propagandear e convencer-me da qualidade do pó. Seus benefícios – segundo ela - vão desde a cura do sinusite até ereções fulminantes, sem falar, claro, de seu potencial sagrado. Fez menção ao Rapé Santo Daime e ao Rapé Maria Concebida quatro vezes, estes, inalados em rituais especificos e todos esgotados. Os fanáticos por Machado de Assis conhecem (ou então não são fanáticos) a comédia Bote de rapé onde o autor faz uma apologia de seu uso num texto mais ou menos assim:

Elisa – Ah, esse vício tão feio! Antes fumasse…
Tomé – O vicio do rape é vicio circunspecto. Indica desde logo um homem de razão. Tem entrada no Paço e reina no salão. Governa a sacristia e penetra na igreja. Uma boa pitada as idéias areja e dissipa o mau humor. Quantas vezes estou capaz de pôr abaixo a casa toda! Vou ao meu santo rapé, abro a boceta e tiro uma grossa pitada e sem demora a aspiro. Com o lenço sacudo algum resto de pó e ganho só com isso a mansidão de Jacó.


Nos tempos áureos das monarquias e das novas repúblicas era até esnobe dar umas cafungadas nos salões das cortes. Dizem que Napoleão cheirava uns 7 quilos por mês. Mas havia também muita repressão a respeito: Em 1624 - por exemplo - o Papa Urbano VIII declarou excomungáveis aqueles que usassem o pó, pois o espirro era considerado pela igreja um verdadeiro êxtase sexual. Um dos tantos czares russos também declarou pecado mortal aspirar o rapé e castigava os transgressores com a mutilação do nariz. Por incrível que pareça, até o Velho Mao Tsé Tung, depois da revolução de 1949, proibiu esse hábito que, entre nós, está mais vivo do que nunca...
a tal história da ereção provocada pelos espirros (sutilmente insinuada até por Machado de Assis) parece não ser balela ou folclore não, pois todo mundo (homens e mulheres) sabem, por experiência própria, que quando se espirra há involuntariamente, mesmo que fugidio, um tsunami, um tesão e um sobressalto na região das armas, o que, quem sabe, pode ser o primeiro empurrão para o tão propalado "despertar" .

quinta-feira, 24 de março de 2011

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL cospe sobre abaixo assinado da plebe e autoriza a volta de bandidos...

Com o pretexto de fazer cumprir a Constituição o último Ministro indicado para o STF votou contra a validade da Lei do Ficha Limpa para as últimas eleições. No país inteiro e mesmo aqui em Brasília ouviu-se rajadas de foguetões e espasmos de contentamento por todos os lados. Os sindicatos não deram um pio, as universidades ficaram em silêncio, as igrejas nem apagaram seus incensos, o Congresso emudeceu, a “oposição” ficou cacarejando: Dura lex sed lex e os rebanhos terminais contentaram-se novamente com mais uma feijoada e com mais um trago de cachaça. 

Ah, é para respeitar a Constituição? Ah, bom! Mas então feche-se imediatamente a grande maioria das escolas, dos hospitais, dos restaurantes, das fábricas de porcarias, das TVs e rádios dos políticos, dos presídios, dos bancos, das congregações, das construtoras, das Câmaras de deputados etc., etc. 

E olhem que o mister Obama chegou até a sugerir que poderíamos exportar nossa democracia para as arábias!!! Ou será que depois de transitar pelos bastidores da república ele não quis insinuar que deveríamos importar pelo menos um pouco da indignação dos árabes?

Bah!!! Vocês sabem que escrevo apenas por escrever, pois está na cara que nosso destino – como diz a música abaixo – é chegarmos a ser um imenso, SUPREMO e piorado Portugal.


segunda-feira, 21 de março de 2011

Obama hipnotiza a fina-flor da canalha...

BRASÍLIA - Tentei ir à Esplanada dos Ministérios fazer uma boa foto da família Obama, mas estava tudo interditado. Havia policia por todos os lados, uns na cobertura do Senado, outros nas janelas dos ministérios, outros disfarçados de ciclistas, de turistas etc. A população? Indiferente e sonâmbula preferiu ficar em casa cheirando rapé. Em outras épocas teria sido o maior bafafá, tanto por parte dos da “direita” como dos da “esquerda”. Bandos que se escafederam deixando em seus lugares um imenso e melancólico rebanho do meio, cujos participantes permanecem ávidos apenas por locupletar-se mutuamente e por garantirem uns aos outros melhores dias de senectude. E depois, sinceramente, apesar do interesse, da manipulação e do consenso da mídia, o Obama não transcende o velho lugar comum. Veio apenas para servir de ponteiro entre os negociantes de lá e os negociantes daqui. Vejam os assuntos e os contratos que foram discutidos e assinados no Itamarati, nenhum deles diz respeito às massas, à população, à sociedade e nem mesmo aos países, só interessam realmente às Corporações que aliás, são todas piratas e apátridas. Os países, as nações e as culturas só continuam tendo sentido para os rebanhos e para os proletários. Os Senhores do Planeta, ah, estes estão além da baboseira reacionária das fronteiras, pois o Dinheiro e o Poder nunca necessitaram de passaporte e nem de visto para coisa nenhuma.

TEATRO MUNICIPAL – Curioso o critério para a seleção dos dois mil convidados que se confinaram no Teatro Municipal para assistir ao discurso do Obama. Você que os viu entrando sabe que se trata da fina-flor, não é verdade? No caso de um dilúvio seguramente serão eles os embarcados na Arca, os demais se despedaçarão arrastados pelos esgotos. O discurso – apesar das opiniões idealizadas em contrário - foi ensaiado para uma plateia de ginasianos ou, no máximo, para secundaristas. Ter mencionado uma frase de Paulo Coelho (e ainda sobre o amor) no último instante, foi a desmoralização total. Mais ou menos como se, numa situação inversa, alguém daqui fizesse lá, para a fina-flor de seu país, uma referencia semelhante ao M. Tyson. E depois, não há quem não saiba que o “amor” para os gerentes das Corporações é sempre aquele cilindro de aço que vai dependurado sob as asas dos F.16 e que, aliás, enquanto a fina-flor nacional aplaudia as “simpatias” e os “panegíricos” do visitante, eram lançados “amorosamente” sobre Tripoli. Mais do que esperados os elogios à Presidente Dilma e a sua história de prisão e tortura, só faltou lembrar que os torturadores daqui, naquele momento histórico, eram adestrados e incentivados pelos torturadores de lá. Agora, o momento em que a fina-flor da canalha se excedeu em palmas e em suspiros foi quando Obama, num exagero de ingenuidade ou de atrevimento de fé afirmou que o Brasil pode até ser exemplo de democracia para os povos árabes. Ah, bom!!! OK, mister Obama! E isto que ele só foi ao Cristo Redentor e à Cidade de Deus, imaginem a que grau chegaria seu otimismo se tivesse passado também lá pelo Santuário da Penha! 
Chega. A nós resta apenas o exílio, o exílio do exílio, para não dizer o exílio da errância!!!

quinta-feira, 17 de março de 2011

"A desgraça desta terra é esse grande número de poetas. Se em vez de tocadores de sanfona tivessemos fabricantes de alpercatas, esse sertão seria muito mais desenvolvido" (Prado Ribeiro)

A cólera chegou a meio mundo nesta quarta-feira, quando se tornou pública a aprovação de uma verba de R$ 1,3 milhão de reais pelo Ministério da Cultura (sob o comando da irmã do Chico Buarque de Hollanda) à cantora e poetisa Maria Bethânia (irmã de Caetano) para a criação de um blog intitulado “O mundo precisa de poesia”. Você ri, mas é sério. Ninguém está brincando aqui não! Trata-se de 1,3 milhão de reais mesmo! No referido blog, a cantora baiana aparecerá diariamente, durante 365 dias, recitando poemas em vídeos dirigidos por um tal de Andrucha Waddington. Que tal? Pode ser uma boa, não é??? 

Ah, te falta o fôlego? Sentes que te faria bem umas duas colheradas de maracugina??? Entendo, mas se acalme. Respire fundo, muito fundo, pois nada, absolutamente nada mudará... 

E depois, (e aí está um dos secretos Nós górdios de nosso caráter) quem de nós e de todos os "indignados", seria capaz de, em sã consciência, rejeitar uma fortuna dessas para, aqui e ali e de vez em quando, ruminar alguns lirismos histéricos?

quarta-feira, 16 de março de 2011

O TEMPO E OS DESTROÇOS...

A tragédia no Japão tem sido a glória dos fotógrafos. Cada um mais ofegante que o outro, todos correndo atrás do sinistro, da imagem mais chocante, mais inusitada, mais impregnada de realismo, de simbolismo e, claro, mais comercial. A mídia inteira, desde o N.York Times até o Popular de Maracangalha ou o Vespertino de Caixa prego estampam cotidianamente as mais exóticas e as mais densas de horror. Esta acima, de um relógio no meio dos escombros apareceu hoje no Corriere della Sera. Mas não pensem que essa emancipação dos fotógrafos é coisa antiga. Não. Há menos de três décadas o fotógrafo não passava de um peão braçal e secundário no mundo da imprensa e, mais, devem  esse seu status atual muito mais ao marketing da indústria fotográfica (principalmente ao japonês) do que às lutas sindicais. Hoje nem é necessário um tsunami para mobilizar um batalhão de sujeitos empunhando suas câmeras por aí, que, aliás, já estão incorporadas às canetas, aos celulares, aos isqueiros, aos relógios, aos óculos etc., sem falar das secretas que vão presas às calcinhas ou às cuecas. Um mundo abarrotado de gente estranha e refém do imagético (existe esta palavra?) fotografando e sendo alucinadamente fotografado.

- Olha o passarinho.... Click, click, click.....
-Olha o Barthes!!!
-Olha o Leonardo da Vinci!!!
-Olha o novo lançamento!!!

E o faturamento desse negócio só perde para o de medicamentos e para o de cosméticos. Curiosa e compreensível essa relação, uma vez que a foto está intrinsecamente relacionada à estética (culto à beleza) e à fantasia de eternizar-se (pânico de morrer). As fotos nas paredes das casas com todo mundo agarrado, maquiado e sorrindo e as encalacradas nas lápides dos cemitérios que o digam. Veja curta metragem no endereço abaixo:
http://video.bugun.com.tr/bugunPlayer.swf?file=dagilfilm.flv


Obs: E já que estamos falando em [temporalidade], quem assistiu a estréia do novo Programa da Hebe Camargo ontem a noite, ficou atordoado e enojado com tanto espontaneísmo (lembre que em psicodrama esta palavra é bem diferente de espontaneidade) e com tanta impertinência. A platéia estava cheia de autoridades tensas, mas mostrando as carecas e os dentes. Enquanto ela, delirante, atuava no palco, me vinha obsessivamente em mente a observação de Cioran, para quem nada é mais melancólico e lamentável do que um velho alegre.

segunda-feira, 14 de março de 2011

ISSO É UM BLOG OU UM MURO DE LAMENTAÇÕES???

Tenho recebido dúzias de textos, artigos, documentários, confissões, imagens e sarcasmos de meus leitores e de meus correspondentes anônimos. Nesta semana alguém me perguntava se isto era um blog ou um Muro de Lamentações. As duas coisas. E lá vai mais um lamento: meu correspondente/psiquiatra enviou-me este pequeno documentário sobre os [fabricantes da loucura] que é de arrepiar. Assista-o com atenção. Abandone pelo menos por agora seu velho, crônico e incondicional otimismo. Tente olhar as coisas como são e de todos os ângulos. Compreenda e sinta o quanto deve ser deprimente VIR-A-SER apenas um número ou apenas um código a mais nas agendas das multinacionais de medicamentos...

quinta-feira, 10 de março de 2011

ENTRE MIM E O QUE SOU HÁ A ESCURIDÃO (Fernando Pessoa)

Agora que as cinzas estão baixando, que cada um voltou para sua escravidão e para sua miséria cotidiana, mais doente, mais pobre, mais impotente, mas alienado, mais bovinizado, vale a pena assistir os cinco capítulos da "novela" que lhes exibirei abaixo. Acomodem-se bem em suas poltronas, degustem um chá de camomila e tomem consciência de como tudo isso em nossas vidas  é intenso e abominável...



terça-feira, 8 de março de 2011

LADY GODIVA E O DIA INTERNACIONAL DA MULHER...

Imaginem então se o Rio Jordão fosse aqui?

Centenas de almas receberam o batismo nesta segunda de carnaval aqui nos arredores da Ermida Don Bosco, às margens do Lago Paranoá. Don Bosco, todos sabem, foi aquele padre delirante italiano que disseminou a idiotice de que exatamente aqui seria o lugar onde brotaria mel com morangos e chantili. Enquanto a turba carnavalesca chacoalhava as banhas e o rabo com seus respectivos esfíncteres por aí, três ou quatro homens de óculos escuros mergulhavam os beatos nas águas insalubres aqui da República e os retiravam em segundos já com Cristo no coração e salvos. Claro que não havia nenhuma relação real com os rituais do Rio Jordão, mas não eram poucos os que cochichavam idilicamente sobre aquele esgoto que corre entre Israel e a Jordânia e onde, dizem, até o mandachuva teria sido batizado. O governador estava lá, sorridente, condescendente, dizendo sim a tudo e, como bom baiano, balançando afirmativamente o crânio para todos os lados. Apesar de dizer-se comunista, é unanime a ideia de que tem muito mais jeito e perfil para ser um panteísta. A cidade acalmou-se nestes dias. Meio mundo colocou os pés na estrada e claro, é grande o risco de virem a fazer parte daquelas estatísticas de jamantas desgovernadas... Aliás, por sorte, tudo está desgovernado. Os operários passaram esses dias reformando a reforma do Palácio Alvorada que custou, lembram quanto? 100 milhões. E recordem que o tal Palácio é praticamente um barracão com quatro imensas paredes de vidro e, mais, que não penduraram nenhum Picasso na ante sala do Duce. Mas hoje é carnaval... Relax!!! Muita Alegria Pessoal!!!!

quinta-feira, 3 de março de 2011

OS FILHOS DO OCASO / OU O CAJE É NOSSA TREBLINKA...


Entender porque os duzentos e tantos internos que estão confinados no CAJE cometeram tais e quais crimes e transgressões sociais não é difícil, o problema mesmo é compreender como é que uma sociedade que se diz religiosa, trabalhadora, democrata, moderna e altruísta (até socialista!!!) consegue seguir respirando e cagando ao redor de uma instituição dessas que, nos moldes de Treblinka, mantém enjauladas tantas crianças.
Não se agite funcionariozinho público ou comerciantezinho de bagatelas que vai se confessar todos os domingos, pois já sei tua opinião sobre esse assunto:

- Deviam era fuzilar esses bandidos! Não é verdade?

Pensas assim por ignorância e porque não consegues admitir que se teus filhos tivessem nascido no inferno onde nasceram esses “pequenos prisioneiros” estariam todos, como eles, atrás das grades e mais, pelos mesmos delitos. Ou segues acreditando que o problema deles é genético??? Que pode ser explicado pelo espiritismo???

Há décadas os políticos juram que vão dar um jeito nesse aborto prisional e nada. Nos finais de semana as mesmas mães estão lá junto às cercas de arame farpado para, pelo menos, dar um abraço semanal em seus pequenos heróis. E saibam: os crimes daquelas crianças, quase sempre são expressões do desejo até de seus bisavós que, como elas, passaram e suportaram infernos semelhantes... Apesar de todas as demagogias fascistas em contrário, manter um homem numa jaula é um crime. E um crime muito pior que qualquer outro, já que ele é sempre consciente, planejado, vingativo e arquitetado pelo Estado e por seus lacáios...

Somos um povo lesado e atrasado, não conseguimos fazer nada objetivamente. Perdemos nossas vidas em reuniões inúteis e presunçosas e precisamos de anos para mudar uma mesa ou uma janela de lugar. O CAJE (e a escada rolante da rodoviária) são os exemplos mais estapafúrdios. Com o dinheiro que (supostamente) já jogaram ali naqueles calabouços daria para terem instalado água potável, saneamento básico e orquestras sinfônicas em todas as bibocas nacionais de onde é procedente a maioria desses pobres infratores.

terça-feira, 1 de março de 2011

E olhem que mencionei apenas quatro ou cinco de quinhentos e tantos...

Se tuas esperanças nacionais estavam congeladas e estagnadas, agora, com a nova turma que assume o comando no Congresso Nacional verás teu ânimo telúrico e teu tesão patriótico crescerem vertiginosamente. Para mencionar apenas os mais populares, o Dr. Tiririca - por exemplo - foi indicado para fazer parte da Comissão de Educação e Cultura; Dr. Romário (PSB-RJ) foi nomeado vice-presidente da Comissão de Turismo e Desporto onde decidirá os destinos da pasta ao lado do ex-goleiro gaúcho Dr. Danrley de Deus (PTB-RS) e do ex-boxeador Dr. Acelino de Freitas, o Popó.  A Comissão de Finanças, por ser tão complexa como as demais, terá como membro  o deputado do PSOL-RJ e ex-participante do programa Big Brother Brasil Dr. Jean Wyllys... etc., etc. E olhem que mencionei apenas quatro ou cinco de 
quinhentos e tantos que com teu direito de cidadão e com teu voto secreto alçaste bovinamente aos pedestais da República...