"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A República bem que merece uma dama!!!

Algumas feministas e algumas estudiosas de “gênero” já se preparam para ir novamente a Paris ou a Londres fazer novos pós doutoramentos, agora, claro, sobre a ascensão de uma mulher à presidência do país. É verdade que houve uma comoção geral, muitas lágrimas e até algumas manifestações de misandria em sua posse – eu estava lá -.  E com razão. Não são poucas as expectativas por parte do universo feminino a respeito do governo da Dilma. Seria pura nostalgia pelo próprio tempo perdido? A primeira mulher presidenta! Uma mulher de esquerda! Uma mulher que sabe manejar uma espingarda! Uma mulher que sabe ser dura sem perder a ternura etc. Se ouvia no meio da multidão.

Parece fazer parte do caráter de nossa espécie essa esperança como sintoma e esse fascínio pelos mitos. Tudo bem, cada um que aposte naquilo que quiser, mas que bobagem! Quando Marechal Deodoro assumiu deve ter havido a mesma expectativa por parte dos fardados e dos milicianos. A vitória de Getúlio Vargas iria levantar a estima dos gaúchos e dos baixinhos – pensavam seus conterrâneos. Jânio Quadros ensinaria ao povo como falar o “bom português, varreria a podridão nacional e daria moral aos já desenganados professores. Juscelino seria quase um faraó disfarçado de mineirinho sedutor e mortal. Os militares, com sua ditadura, salvariam a pátria das garras de Moscou, dos comunistas tupiniquins e mais, sufocariam a corrupção. Tancredo encarnaria os ideais monárquicos e de Tiradentes ao mesmo tempo e colocaria Minas Gerais no seu tão reivindicado pedestal. Sarney, além de fechar os calabouços, tiraria a nação da falência e consolidaria a República platônica. Collor abriria novamente os portos, os aeroportos e todas a outras vias para a Ordem e para o Progresso. Fernando Henrique transformaria a sociologia quase numa religião e ensinaria ao mundo, pedagógica e empiricamente o que é verdadeiramente pavonear-se. Lula, por fim, seria o primeiro operário sindicalista no poder, quase um santo, a possível reencarnação do Padre Cícero, o arquétipo do bem por sobre essa cloaca de maldades... etc., etc., Pura ficção! Ouviremos as mesmas sandices quando for eleito um índio, um homossexual, uma freira, um albino, alguém do PCC, um garimpeiro ou mesmo um poeta. 

3 comentários:

  1. Ainda bem que você não incluiu a hipótese de eleição de um Ateu(assumido) pois seria uma hipótese falha...

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  2. Que bom ler isto e ver que nem todos estão perdidamente iludidos. A verdade é que o mundo tal como está organizado é miserável. Tanto faz, como tanto fez. Miserior super turbam!

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  3. Eu resumiria o seu texto desse jeito: - Não adianta mudar as "marionetes", porque quem realmente governa, não aparece na mídia, e não há interesse nenhum que o caus seja solucionado, porque do jeito que o mundo está, eles nunca vão deixar de ser maestros de uma orquestra falida e medieval...

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