"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

domingo, 9 de janeiro de 2011

Maria Sabina y nuestros hongos...

Os longos dias de chuva por aqui na capital da república não infestaram a cidade apenas com matagais, carrapatos e ratos brotaram também e por todos os lados os misteriosos e sinistros cogumelos… Nas paredes das bancas de jornais – por exemplo -  nos jardins da UnB, na boca dos esgotos, nos barrancos enlameados e nos troncos podres das superquadras explodiram centenas de um dia para outro e nas cores mais inesperadas. Num dia aqueles pequenos guarda-chuvas estavam brancos, no outro já eram escuros, no outro pareciam cinza, depois marrons, azulados etc. Como saber quais são comestíveis, quais são venenosos e com quais se pode embarcar numa viagem alucinógena? Lá pela década de 80 vivia nas montanhas mexicanas de Huautla de Jimenez uma velha índia conhecida por Maria Sabina (la hechicera de los hongos) a qual recorriam psicólogos, psiquiatras, antropólogos, poetas e outros pirados famosos do mundo inteiro para fazer uma viagem com os psilocybe cubensis que ela cultivava nas terras sombrias e férteis das margens dos córregos. As fogueiras que duravam noites inteiras, os luares, os tiroteios entre campesinos e os grunhidos dos animais noturnos mixando-se aos cânticos xamânicos... Os demônios circundantes, os insetos da noite, a diversidade de línguas e a imagem daquela mulher secular cruzando as labaredas e cochichando segredos e bobagens àqueles pobres alienados retornam em blocos agora quando me inclino com cuidado sobre esse tronco para melhor fazer esse registro...  


2 comentários:

  1. Na cidade que já abrigou os anões do orçamento, quem sabe não encontramos algum smurf embaixo dessas belezinhas?

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  2. Ézio, já que vc gosta, olha isso:

    http://hypescience.com/os-10-cogumelos-mais-incriveis/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+feedburner%2Fxgpv+%28HypeScience%29

    fABiN

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