"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A apoteose (final) do velho pulpitum...



Recebi a noticia (considerada pelo emissário até como revolucionária) de que um juiz da 7 Vara Criminal de São Paulo baixou uma portaria obrigando a retirada do tablado - aquela peça alegórica e medieval que eleva os juízes e os magistrados bem acima dos outros mortais - das salas de audiências. Que tal? Foram necessários 510 anos para esse insight e mesmo assim a medida está sendo vista por nuestra buena gente como revolucionária. Agora os otimistas e os antropologicamente românticos esperam que ela chegue também aos púlpitos e aos estrados das escolas, das igrejas, dos lupanares, das universidades, das academias em geral e até mesmo dos teatros.
Ora! – escreveu-me um personagem anônimo – esse "nivelamento democrático" é demagógico, uma bobagem menor que não tem verdadeiramente nenhuma importância no caos de nosso judiciário... e depois, até Sartre quando se dirigia aos estudantes no folclórico Maio de 68, até Lênin quando esbravejava aos esfarrapados soviéticos e até Bakunin quando defendia os incendiários franceses o faziam do alto de barricadas...
Apesar do anonimato tenho certeza que esse pensa exatamente como eu, isto é, que não teremos tudo destruído enquanto não demolirmos inclusive as ruínas.

Um comentário:

  1. Meu caro Ezio,
    Estou a seguir o seu blogue, que considero muito, muito bom!
    Um abraço de reconhecimento.
    Manuela

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