"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

UMA ODE AO ESTRAGÃO...

Você que já leu todos os livros sagrados e que até quis escrever um novo evangelho; você que já militou tanto como sindicalista como “pelego” de fábrica; você que já foi padre, herege, indiferente; você que num dia se achava o bambambam e no outro, com a mesma pompa, focinhava pelas tocas de raposas; você que numa semana discursava sobre a filosofia da miséria e na outra sobre a miséria da filosofia; você que pisoteou e foi pisoteado, você que fez apologia da Ficha Limpa para ocultar que é um Ficha Suja; você que ao longo de tua vida elegeu uma corja de larápios atrás da outra; você que se vende por um saco de farinha; você aí, com teu terno de três mil euros e com tua gravata de mafioso; você que já fez de tudo nesta puta existência e que mesmo assim continua na merda inclua o Estragão na tua vida! Abra tua cozinha e teu estômago para o Estragão, essa erva asiática que lhe fará momentaneamente feliz. Está escrito: uma sopa de anholini temperada com Estragão, seja feita numa lata de querosene ou numa sopeira celta é a verdadeira Graça e a verdadeira Glória que os ingenuos tanto imploram na penumbra de seus covis...

2 comentários:

  1. Acho que o Ézio fumou um Estragão antes de escrever isso.

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  2. Mas tem que estar muito mal para cometer um "estragão" maior ainda (rsrs).

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