"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Os subterrâneos do Complexo do Alemão e o suicídio do criador do filme o Incrível exército de Brancaleone...

Suicidou-se hoje, aos noventa e tantos anos o cineasta e comediante Mario Monicelli. Aproveitou um vacilo da trupe de um hospital de Roma e lançou-se pela janela do quarto andar. Todo mundo sabe que foi ele o criador do filme O incrível exército de Brancaleone. Correm boatos maldosos aqui pela capital da República segundo os quais seu suicídio estaria relacionado à tomada do Complexo do Alemão. Não teria suportado ver a realidade sul-americana superando, e em muito, sua ficção. Pura maldade! Seja lá o motivo que for sua decisão traz novamente à tona o principal e maior de todos os problemas humanos: o suicídio. Tema intangível e que quando é discutido é sempre olhado do mesmo ângulo e com o mesmo estrabismo. Proibir uma pessoa adulta de sair da vida quando ela bem entender (e obrigá-la assim ao vexame de jogar-se furtivamente por uma janela, por exemplo) talvez seja o pior de todos os absurdos civilizatórios. É bem provável que esta mesma sociedade desvairada que busca neurótica e desesperadamente pela longevidade, um belo dia se permitirá oferecer àqueles que já estão fartos, formas bem mais dignas e respeitáveis de colocarem um ponto final em suas existências.

2 comentários:

  1. Bazzo, quase me acabei de rir com a sua explicação para o suicídio de Mário Monicelli. O incrível exército de brancaleone é realmente um fime genial. Eu comandei um exército assim durante muitos anos no serviço público (rsrrs).

    ResponderExcluir
  2. Eu sou completamente a favor do suicídio, afinal cada um tem o direito de decidir a hora de se retirar dessa merda que chamam de vida...Se não temos a opção de decidir nascer, pelo menos deveríamos ter a opção de querer morrer... Pode parecer cruel, mas viver sob determinadas circunstâncias degradantes, talvez fosse melhor nem estar por aqui. Por exemplo, a prisão perpétua é o maior castigo que se pode dar a alguém. Porque não facilitar, e acabar logo com o que é indesejado, e dar o direito ao preso de não ser torturado? Para que e porque alguém iria querer "viver" sem liberdade? Preso, monitorado, isolado? O mesmo eu diria do paciente em estado vegetativo, porque deixar o pobre coitado padecer desse jeito? Eu já andei estudando as várias técnicas de suicídio, e todas elas são violentas e dolorosas. Conheci um pesquisador da área de bioquímica que comentou que há substâncias capazes de provocar uma parada cardíaca definitiva, sem acarretar muito sofrimento, mas são totalmente proibidas de serem comercializadas, e só são encontradas em laboratórios de pesquisa. Creio que as multinacionais que derramam milhões de drogas por aí, estão perdendo um grande filão do mercado, deixando de fabricar algo tão útil para a população. No mínimo o submundo iria trocar as pesadas armas de fogo por pílulas, sprays, gotas...

    ResponderExcluir