"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sábado, 23 de outubro de 2010

PARIS CONTINUA VALENDO UMA MISSA 3

Mais de um milhão e meio de “militantes” marchando para a Bastille e cada um com a sua coleira, com sua bandeira e com a sua fé. Ter que trabalhar dois anos a mais como quer o Estado é realmente  uma desgraça, mas se comparados aos trinta e tantos já cumpridos não significam nada... A manhã está nublada, com chuva ou com sol Paris é sempre uma festa! A velharada do PCF parece mais ativa e entusiasmada do que nunca! As meninas e os meninos do liceu gritam antigos slogans e gostariam de reeditar o Maio de 68, mas como ressuscitar a Sartre? Aos socialistas só lhes faltam as batinas; os estrangeiros levam visível na cara o horror à possibilidade de terem que voltar para suas tribos; os Verdes anseiam por uma floresta que já virou cinza; os gays, lésbicas e derivados gostariam que o Sarkozy universalizasse a farra da pré-genitalidade; os corações dos anarquistas ainda palpitam em memória a Ravachol e só se contentam com a idéia de um incêndio generalizado; os comerciantes baixam as portas para preservar suas quinquilharias e a policia está lá, em cada esquina, pronta para “cumprir ordens”, descer o cacete e para defender algo que nem sabe o que é.  Enquanto isso, a velha monarquia do passado, os milionários, os donos dos bancos e do planeta não estão nem aí, fumam seus charutos confortavelmente em suas mansões ou em suas ilhas paradisíacas indiferentes a todas as manifestações da plebe. Acham até graça do desespero da "gentalha" por trabalho, por "qualidade de vida" e por migalhas. Tanto de um lado como de outro o que existe é a consciência de que por  detrás de todos os “movimentos sociais”, de todas as guerras, as ganâncias e as neuroses pessoais  está a frustração por saber que a vida é uma experiência inútil.

O trem que me leva ao aeroporto vai mais devagar por causa das greves. É evidente que ao invés de apenas quinze dias deveríamos passar a vida inteira em férias!


Aquisições:

- Petite philosophie du marcheur (Christophe Lamoure)
- Dieu n'est pas grand (Christopher Hitchens)
- Le goût de la marche (Textes choisis par Jacques Barozzi)
- Petit éloge de l'ironie (Vicent Delecroix)
- Politique du rebelle (Michel Onfray)
- Les nains et les elfes (Claude Lecouteux)
- Le mariage d'amour a-t-il échoué? (Pascal Bruckner)
- Le guide du routard (Praga)
- Le guide du routard (Roumanie et Bulgarie)
- Um violino tcheco
- Alfons Mucha - Maître de l'Art nouveau (Renate Ulmer)
- Um CD do Duo Yaoryna (Ukraine)
- Duas batatas de tulipas
- 1880 fotos.

Um comentário:

  1. Olá,

    Valeu pela passagem lá pelo blog que edito.

    Adorei a análise da grande confusão parisiense contra a reforma previdenciária.

    É se certificando que a vida é uma experiência inútil que devemos vivê-la sem deixar que nos enganem.

    um abraço,

    Carlos Baqueiro

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