"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sábado, 16 de outubro de 2010

Outono de Praga - 2

 Sinais da dinastia dos Habsbourgs por todos os lados. Dizem que Praga já foi até o centro espiritual e político da velha Europa. Se é verdade não sei, mas catedrais é que não faltam por aqui, quase todas edificadas pelo príncipe Venceslau que, aliás, foi assassinado em 929 por seu irmão Boleslau. O Parricídio e o fratricídio foram sempre marcas das monarquias católicas e fajutas do mundo. Quem não quiser fazer os tours tradicionais por aqui, pode ir aos subterrâneos da cidade, ver os objetos medievais de tortura, ao museu do sexo, ao museu do comunismo etc. Esquisitices e bizarrices não faltam pelo mundo. E por falar em bizarrices, uma companhia tcheca de aviação faz três vôos curiosos: Praga/Fortaleza (Brasil); Praga/Varadero (Cuba) e Praga/Puket (Tailândia). Será que têm alguma coisa a ver com pedofilia? Ouço o guia histérico dizendo a um grupo de espanhóis que foi em 1896 que o gueto judeu de Praga foi aniquilado, que a tumba de Kafka está em outro cemitério e que foi em 1969 que Jan Palaok imolou-se em praça pública em protesto contra a invasão soviética. Como identificar o que é história e o que é estória. A neblina que sobe do rio VItava vai rodopiando na direção dos antigos edifícios stalinistas. Reinicio minha caminhada sentindo aquilo que dizia Raymond Devos: Mon pied droit est jaloux de mon pied gauche. Quand l’un avance, l’autre veur le dépasser. Et moi, comme un imbecile, je marche.

Um comentário:

  1. Este homem está abraçando um cachorro? E pedindo esmola? Ça c'est drôle, et toi, tu marches sur la terre des hommes, comme un homme qui veut savoir un peu plus sur l'absurde du monde.

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