"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sábado, 11 de setembro de 2010

Carla Bruni, Sarkozy e os ciganos... ( 1 )

Se no mês passado o presidente Nicolas Sarkozy já teve que suportar as manchetes dos jornais iranianos acusando sua mulher de ser uma "cortesã”, com a expulsão em massa dos ciganos do território francês, provavelmente terá de ouvir os mesmos “elogios” também a respeito de sua mãe, agora advindos da boca dos ciganos. É evidente que está sendo uma babaquice essa “deportação”, uma babaquice não apenas política, mas cultural e até turística, pois qualquer um sabe que parte do exotismo e da beleza de Paris – por exemplo – se deve aos ciganos, aos nômades, aos apátridas, a essa gente que se negou a ter uma língua cigana escrita, a esses cidadãos do mundo com suas tralhas, seus dentes de ouro, seus truques, seus violinos, suas ervas, seus cavalos, suas navalhas e suas sabedorias. Quem é que consegue esquecer a voz e o olhar da cigana que mendiga em Champs Elysees?

- S'il vous plait monsieur, je suis refugie de Roumanie...

Quem conseguiria apagar de sua memória os gestos e a coreografia daquela que está decodificando la mala y la buena suerte sob os umbrais da antiga Sorbone? Qual é o fotógrafo que ficaria indiferente à romaria cigana para a Catedral de Chartres e à expressão de uma anciã com a imagem de Sara (a Santa negra dos ciganos) nos braços? Quem é que esquece o ciganinho de dez anos empunhando seu violino no metrô de Les Halles e executando uma canção da Bulgária? Ou o elegante batedor de carteira na entrada de um magazin com roupa, bengala e chapéu de lorde? Aliás, até o Chaplin tinha origens ciganas. Não é novidade que les tsiganes et les bohemes sempre causaram alergia ao establishment francês, tanto é que já em julho de 1682 o rei de plantão assinou uma famosa Declaração contra eles e que mais recentemente também iriam passar aos milhares pelos fornos nazis. Se não fizeram disso sua bandeira de sobrevivência (como os judeus) talvez tenha sido, simplesmente, porque a idéia do perdão, das indenizações e de uma pátria lhes cause repugnância.

Um comentário:

  1. Tenho grande admiração pelo povo cigano. Suas danças, suas celebrações, sua filosofia de vida. Eles sobrevivem apesar de tudo. Sem cidadania, sem pátria, sem terras, eles mantém suas tradições. O líder dos ciganos nesta nossa região, é o querido amigo ZARCO, que vive lutando para que todos reconheçam e respeitem seu povo. Parabéns, Bazzo, pelo artigo!

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