"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

domingo, 19 de setembro de 2010

A ARTE DE PERSCRUTAR E DE DRIBLAR A MONOTONIA DO MUNDO...

Tive um sentimento curioso agora à tarde ao deparar-me com esse homem de olhar veloz e enigmático (clique sobre a foto para ver melhor sua expressão) recolhendo latas, garrafas e outras porcarias numa feira da cidade. Ia com sua bengala e com seu saco, recolhia algo aqui, algo ali, sentava-se uns minutos, perscrutava o mundo, acendia um cigarro, dava uma ou duas  longas e intermináveis baforadas, cumprimentava outros andarilhos e prosseguia sua marcha, quase  em estado onírico. Por coincidência havia lido pela manhã, na página 148 da Cabala do dinheiro um texto de I. L. Peretz sobre a chegada ao céu de um sujeito mais ou menos como ele que recolhia lixo nas ruas, que em vida jamais havia entrado em discórdias com quem quer que fosse e que ao morrer fora enterrado como indigente. A história usada pedagogicamente pelos rabinos é mais ou menos assim:
[Nos céus há um enorme alvoroço. Nunca haviam recebido tão ilustre alma, e todos acorreram ao tribunal celeste para receber aquela figura tão pura. O próprio Criador fez questão de oficiar o julgamento, enquanto o Promotor Celeste se contorcia de ódio pela causa que já percebera perdida. Bontche foi então trazido diante dos anjos, do Criador e do Promotor, que foi logo desistindo de fazer qualquer acusação. O Criador tomou então a palavra e, elogiando Bontche, lhe disse: “Tão maravilhoso foste em tua vida que tudo aqui nos céus é teu. Basta que peças e terás de tudo. Vamos, o que queres, alma pura?” Bontche olhou então com desconfiança e, tirando o chapéu, disse: “Tudo?” “Tudo!”Respondeu o Criador. “Então eu queria um café com leite e um pãozinho com manteiga”. Ao revelar isto, a decepção tomou conta dos céus. O Criador sentiu-se envergonhado e o Promotor não conteve sua risada. Bontche não era um justo – era um simplório].

2 comentários:

  1. Clique sobre a foto é uma pegadinha? AI AI tempo dificil, como voce disse: uma falsa liberdade. Todos vigiando todos, o E(e)stado da vigilancia. Ate os anarquistas universitarios querendo saber quem é o colega do lado. Podres, o homem é podre e busca em ideologias o que nao tem no coração. Pouca atitude no corpo e muita atitude no dedo para dedurar pro coleguinha de uma sociedade esperanta o que um neurotico esquisito faz no computador ! FODAM_SE

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  2. Di+ogenes ! ! ! Como um cinico ! !! O mesmo anonimo de 30 segundos atras e nao anonymus

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