"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Mañana es siempre otro dia... (O es siempre y siempre lo mismo?)

Re-visitando meus caixotes de papeis velhos, negativos, agendas, passaportes, canivetes etc., deparei-me, além dos ácaros, com umas duzentas cartas endereçadas à Revista Víbora lá pelos anos 80, isto é, há uns trinta anos atrás, por grupos e pessoas supostamente anarquistas, pansexuais, libertárias, explosivas ou, no mínimo, simpatizantes da idéia de incendiar o mundo, de dividir os latifúndios, de arrombar as portas das prisões, das igrejas, dos manicômios, das escolas, do judiciário e de todas as instituições afins para instituir outro modelo de urbanidade.. Mas, isto foi há trinta anos, quando a grande maioria dos missivistas deveria ter de vinte a trinta anos, no máximo. Li com um certo fascínio e com uma certa melancolia uma por uma dessas cartas, anotei o nome de seus autores e os consultei no Google: praticamente todos foram cooptados pelo sistema, adestrados e utilizados pelas grandes corporações. Hoje, vários são promotores, vários são advogados, muitos são chefões em sindicatos, donos de escolas, uns viraram pastores, outros até acreditam no milagre de Fátima, muitos são funcionários públicos, outros são grandes comerciantes, políticos, médicos que cobram trezentos reais por quinze minutos, e quase todos casaram, “constituíram“ famílias (tão odiosas como as que criticavam), muitos tiveram filhos e os reprimiram com os mesmos argumentos do judiciário que queriam incendiar, alguns caíram no fanatismo religioso, na cachaça, no mundo do crime, da doença, da inércia... Talvez nenhum tenha conseguido cruzar verdadeiramente as fronteiras da cloaca social e se tornado soberano. E torno pública essa questão apenas para insinuar que talvez até a juventude (com seus músculos, hormônios, seu tesão, seus sonhos e suas megalomanias) seja uma armadilha sutil da existência para evitar um colapso na espécie e para garantir ad infinitum a repetição e a continuidade de toda essa farsa.

3 comentários:

  1. É sempre a mesma história:
    A "playbozada" em sua tenra idade,acham que podem mudar o mundo.Até que seus pais os colocam em uma encruzilhada: -ou caiam na real ou corto sua mesada""
    Pronto!!! Era uma vez um revolucionário!!
    Com dinheiro no bolso(ou no banco), não há raiva ou indignação que resista!!!!

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  2. Ah, mas se tudo aquilo que pretendíamos fazer quando jovens tivesse se realizado, o mundo seria outro, e nós, muito mais felizes!!! Enfim, cada um sabe de si e sabe porque tantas vezes os sonhos são desviados de suas rotas, no entanto... navegar é preciso!!!

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  3. Navegar é preciso...
    Mas não se acovardar,também é preciso;não vender seus sonhos,também é preciso...Enfim,ter coragem para dizer NÃO na hora em que tiver que dizer NÃO,
    também é preciso!!!

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