"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

domingo, 25 de julho de 2010

A luta permanente e de cada dia para não transformar-se num serial killer...

Exatamente nesta semana que fui ao lançamento do livro do Julio Cabrera intitulado Diário de um filósofo no Brasil, deparei-me com um sujeito estranho nas proximidades do Ministério da Fazenda, um homem que dizia, sem modéstia alguma, ser um bom atirador, um filósofo da pistola e um livre pensador. Uma camisa branca de mangas longas, abotoada até o colarinho e caída sobre uma calça cáqui dava-lhe o aspecto típico de um matador centro americano. 

-Buenos dias, señor! Cumprimentou-me.
-Buenos dias! Respondi-lhe e, curioso, indaguei:
-Que haces por estos lados?
-Buscando inspiración y fuerzas para no transformar-me num serial killer! Vociferou.

Fiquei meio atordoado com sua resposta e tratei de cair fora o mais rápido possível. Depois, pensando com imparcialidade sobre as palavras daquele forasteiro concluí que o papel da cultura e da civilização sempre foi exatamente este: sufocar ao máximo nossas pulsões e impedir que nosso instinto de serial killer se manifeste, pelo menos com a mesma intensidade e frequencia de outrora...


Ezio Flavio Bazzo

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