"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O TABU DA MENSTRUAÇÃO OU A INDIAZINHA QUE FEZ A POLÍCIA E O JUDICIÁRIO RECUAREM...

Genial a última cartada dos índios para permanecerem acampados em frente ao Ministério da Justiça até que suas reivindicações sejam cumpridas pelo Estado. Uma menina de 12 anos teria menstruado pela primeira vez no acampamento e, segundo as tradições daquele grupo, esse momento da vida de uma menina, além de ser sagrado, (ou maldito?) a torna incomunicável e intocável por uma semana. Diante de uma centena de policiais que foram lá com ordem judicial para desalojá-los, os índios  revelaram o tabu e disseram não. Pegaram seus tacapes, acenderam seus cachimbos e começaram a mover-se de um lado para outro e a resmungar coisas “incompreensíveis”. Telefonemas daqui, telefonemas dali, advogado tal para juiz Y, delegado X para comandante de operações K. Cadê o Ministro da Justiça, porra? Cuidado com o pessoal dos Direitos Humanos. Será que esses selvagens não são antropófagos? E o que é menarca ou menstruação, afinal? Resmungou um soldado. E ele não era o único que não sabia. O universo masculino (não importa o grau de instrução) não tem a mínima idéia do que é uma menstruação. E vem a contra ordem: Operação suspensa. A menina (mulher de uma hora para outra)  enclausurada em sua maloca com seu filete de sangue escorrendo por entre as pernas havia vencido. Desde sempre a menstruação foi vista com "maus olhos" pelo mundo. Na Idade Média e talvez até hoje, dependendo da região, a igreja proibia mulheres menstruadas de receberam a hóstia. No período vitoriano a menstruação era catalogada como uma enfermidade. O olhar de uma mulher menstruada tornava os espelhos opacos e azedava o leite. Ter relação sexual com uma mulher menstruada era gerar um monstro na certa. Bobagens, nas quais a imensa maioria dos homens e até das próprias mulheres ainda acreditam.

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