"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

terça-feira, 13 de abril de 2010

SOLTARAM O GOVERNADOR...

Soltaram o governador. Os meritíssimos acharam que já não havia motivos para seguir mantendo-o enjaulado. É verdade. Tiveram a mesma opinião a respeito daquele pedreiro miserável de Luziânia. Aliás, a jaula, o presídio, a cadeia, o calabouço o zoológico... Todas as formas de aprisionamento são terríveis, vingativas e odiosas. Quem ouviu a mãe de um dos garotos assassinados desejando que o matador “apodreça na prisão!” sabe de que estou falando. Mil vezes a guilhotina que o cárcere! Mil vezes o açougue que o zoológico!
Apesar de que preso – diferente da gangue que ficou solta e no anonimato –  o ex-governador teve a oportunidade e o privilégio de poder tirar a maquiagem e de fazer contato com o isolamento, com a solidão, com o desamparo e, claro, com todas pequenas e nojentas misérias que nos são próprias. O dinheiro, a política, o poder e as artimanhas mafiosas para adquiri-los, são sempre placebos com os quais nos distraímos e com os quais tentamos amenizar a consciência de nosso vergonhoso e sinistro destino...

Ezio Flavio Bazzo

3 comentários:

  1. Somente quem já esteve preso para confirmar esse
    seu artigo.
    Tanto é verdade que,o citado pedreiro de Luziania
    acabou se enforcando.
    É FODA!!!!

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  2. Ézio,pra mim seu blog foi a coisa melhor que encontrei na internet.

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  3. Bravo! No início da década de 90, quando fui inserida na Coordenação de Assuntos Sociais, e tive a "feliz" oportunidade de conhecer e conviver com todos os "fragmentos" da sociedade, após alguns meses de estudo, eu retornei para o escritório pronunciando que a "morte" é um prêmio para o enclausurado. Se viver é uma merda, viver sem liberdade é estar morto, e isso eu sei melhor que ninguém. E pior que a prisão institucional é a prisão informal, psicológica, sem grades, sem processo, sem julgamento, sem tempo pré-definido, sem causa e sem motivação "aparente"... Os "DEUSES DO PODER", formados por: banqueiros, empresários, políticos, juízes, militares e seus capangas; determinam quem fica solto e/ou preso, e sem direito a julgamento, afinal a economia do país está nas mãos "deles"...

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