"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

DE CARANDIRÚ À BIBLIOTECA DE SÃO PAULO...

Recentemente foi inaugurada a chamada Biblioteca  de São Paulo, construída sobre os escombros do antigo Presídio do Carandiru. Em minha opinião, foi uma imensa burrice histórica terem dinamitado e derrubado aqueles monstruosos pavilhões. Poderiam ter sido conservados como os de auschwitz ou como os de dachau. No pátio central – inclusive - poderiam ter edificado em cera as réplicas dos 110 presos que foram fuzilados lá dentro, bem como as dos carcereiros, as dos policiais que promoveram a matança e as dos governadores do Estado. Mas, essa gente insiste em dizer que a sociedade só será "outra" quando estiver infestada de bibliotecas e quando todas as crianças estiverem nas escolas. Balelas! A escola, do jeito que está, é uma réplica das prisões e a sociedade só será outra quando não houverem mais prisões.

Mesmo sabendo que a “civilização” foi construída à custa de chicote, espadas, calabouços e repressão, a existência de presídios ou de cadeias é a antítese do tesão, da soberania pessoal e da própria vida. A idéia de um SER preso (seja homem ou animal) é odiosa e inadmissível. Diga-me quantas prisões e quantos presos há em tua cidade, que te direi, em segundos, quem és e como governas.

Ezio Flavio Bazzo

4 comentários:

  1. Descordo, com certeza a biblioteca é muito mais útil do que a penitenciária que não iria servir mais para nada. Pq deixar ela ali, sendo que poderia ser algo MUITO mais útil? Concordo que devemos conservar a memória do Carandiru, mas para isto poderia ser feito um museu ou um memorial, não deixar aquele edifício sem uso.

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  2. O que é um livro se não for lido?? Biblioteca é útil aos que dela fazem uso. E por isso, concordo que antes de construir supostos redentores do caos é preciso polemizar o caus sem as amarras pedagogicas da escola.
    E concordo plenamente que as escolas são/estão como prisões em busca de modelar, limitar e alienar os seus prisioneiros.
    E para alegria das traças, leitoras assíduas, mais um depósito de livros!!!Compartilho com as traças o saborear de livros , porém sinto falta de admirar as obras plásticas.E por que não, esta, mencionada por Ezio, um grande museu em referencia a carnificina do carandiru.Quantas interpretações não seriam incitadas e tanto mais frequentada.

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  3. Um memorial a violência estatal ou um acervo (de livros)? Não faz diferença. Somos um povo que esquece fácil e não gosta de leitura.

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