"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Oh, Erzulie! Nossa Senhora do vudu!

Conhecida como Senhora do vudu, Erzulie é uma das principais divindades lunares do Haiti. Dizem que teve sua primeira aparição sobre uma palmeira no povoado de Ville Bonheur. Ainda há peregrinações para esse local e muitos casais vuduistas continuam escolhendo-a como madrinha, mesmo sabendo que se, por alguma razão, a desagradarem, poderão ser punidos com a impotência ou com a frigidez. Curiosamente, o dia da semana que lhe é dedicado é a terça-feira e o dia do mês é o 12. Dia do grande terremoto.

A respeito do desastre, se os haitianos não tiverem cuidado poderão ser sufocados também por toda a “ajuda humanitária-mortuária” que o planeta lhes está obsessiva e competitivamente enviando. Que culpa e que cinismo terrível as nações imperialistas devem abrigar em seus ossos!

Rapinado primeiramente pelos espanhóis, depois pelos franceses e até hoje pelos mais variados tipos de chacais, o Haiti, apesar da desolação que todos conhecem continua sendo para as transnacionais dos automóveis, do vestuário, dos eletrodomésticos, das religiões, seitas etc.) uma Ville de Bonheur, enquanto a vida dos nativos, tanto por desgraças naturais como por desgraças político-sociais, uma amostra de como deve ser a ante-sala dos infernos. A posição geográfica, a isenção de impostos, a mão de obra disponível e praticamente escrava tem feito dessa ilha caribenha um lugar cobiçado e um ninho para larápios internacionais, a ponto de mesmo o Brasil ter manifestado interesse em implantar lá seus projetos na área de biocombustivel. Segundo sindicalistas haitianos que estiveram recentemente em SP, até o nosso vice-presidente da república teria indústrias têxteis funcionando naquele pequeno território.

Vistas por este ângulo, ao invés de puro “humanismo”, como se propaga,  podem bem ter sido outras as "razões"  pelas quais a ONU instalou tropas terceiro-mundistas lá. Quais? Aplacar a fome e a fúria dos miseráveis autóctones – por exemplo - e não permitir que eles atrapalhem os excelentes negócios dos milionários estrangeiros.

Ezio Flavio Bazzo

Um comentário:

  1. Olá, Ezio.

    Encontrei o seu blogue por acaso e gostei muito dos seus textos.

    Voltarei mais vezes.

    Um abraço,
    Patrícia Lara

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