"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

ELEGIA AOS ANIMAIS...

Do dia 08 de dezembro para cá já sou um homem de sessenta anos. Se nenhum raio acertar-me por aí, tenho ainda uns três mil e seiscentos dias para vagar pelo planeta. O que, convenhamos, não é pouco! Parafraseando a Freud, saber que lá por 2020 estarei livre de toda essa baboseira terráquea, me dá um alívio imenso. A única novidade que tenho sentido neste patamar de minha existência, foi o aumento vertiginoso de minha simpatia, de meu respeito e de meu afeto pelos animais, algo diametralmente oposto ao que acontece para com os de minha espécie. Será isto um mal? Não, respondeu-me o senhor que lia Coetzee em baixo de uma árvore com um cachorro branco postado a seus pés. Afirmou-me categoricamente que quando está passeando com seu cachorro vai olhando para as pessoas com quem cruza (mulheres, crianças, jovens, velhos, casais etc) e pensando: não trocaria meu cão por nenhum deles! E tem mais – agregou -, quando vejo um idiota derrubando uma árvore, tenho a nítida consciência de que se precisasse optar pela árvore ou por ele, optaria imediatamente pela árvore. Respirei aliviado.

7 comentários:

  1. dia 8/dez também nasceu Jim Morrison.

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  2. Maravilha, Ezio! Penso que quando se compreende o animal (e a natureza)como um "outro", a diferença no que é dito humanidade começa a pesar em nossas opções. Há muitos pensantes, como Affonso Romano de Sant'Anna em recente coluna em um jornal local, que também observa:"A filosofia francesa dos anos 1960 vivia falando do 'outro', mas sempre relacionada a outro ser humano. Erro.O outro começa com as bactérias e chega ao urso em extinção na Antártica ou a árvore mais próxima". Respiro aliviada também.

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  3. Bazzo, que você chegue aos 100 anos com a mesma força destruidora baseada na lucidez, no escárnio, no humor, na iconoclastia, na misantropia...

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  4. Sinceramente? Os cães são muito dependentes e sem nenhuma auto-estima. Prefiro os gatos.

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  5. Você pode enganar a quem você quise, Dr.Ezio, mas eu sei de toda a verdade.

    Ezio Bazzo é um vampiro, highlander ou algo do gênero. Quem o conhece ou já se ocupou de seus escritos pode perceber com facilidade que nenhum exemplar de homo sapiens, em apenas 60 anos, teria tanto valor agregado. No nosso mundo, ô Grande Mestre, ninguém sabe muito de tudo, não da tempo. Qualidade ou Quantidade.

    Já quanto aos animais, eu acho que fico com as plantas. O cachorro então é o ícone da disponibilidade emocional e da ausência completa de amor próprio.

    Experimente dar uma bicuda na cara de um cão e em seguida passe a mão em sua cabeça. O animal vai ter te perdoado. No heart feelings. Não importa quão escroto sejamos com nossas bestas, elas sempre estarão prontas a trocar afeto.

    Querendo ou não. Isso tira um pouco a graça do jogo. Receber esmola de mendigo não rola.

    Entretanto, o reino plantae se queda o mais interessante. As plantas vivem, respiram, trepam e etc. Mas estão lá, soberanas, sem recalques, sem traumas, sem super ego.

    Do alto de suas copas assistem o circo.

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  6. e você acredita aliviado nesse senhor só porque lia Coetzee? Seria mesmo isto não ser um mal?

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  7. muito legal o texto. (meu aniversário é 16 de dezembro...) é mesmo interessante a idéia de não mais estar aqui... Eu também prefiro os gatos, mas entre qualquer pedra, animais, plantas, o ser humano é realmente o mais desprezível, pois se autovangloria de tudo, e não é nada.
    (estou lendo todo seu blog e divulgando alguns textos no meu blog e por aí... abraços...
    Ellen Augusta

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