"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sábado, 16 de janeiro de 2010

ARTES, ÁCAROS & UMAS LIÇÕES DE EUDEMONOLOGIA...


Todo mundo se lembra daquele lacaio de Hitler que garganteava: “quando ouço alguém falando em arte, tenho uma vontade súbita de sacar a pistola”. Ainda não cheguei a esse ponto, mas quase. Não com relação à arte em si, mas aos espaços, às chamadas galerias, aos locais onde se armam as exposições etc. Minha guerra contra os aparelhos de ar condicionado religiosamente desregulados nesses lugares e com seus devidos batalhões de ácaros flutuando, parece não ter fim. Hoje mesmo, ao visitar o estupendo trabalho de Tide Hellmeister aqui na CEF, tive que desistir pela metade. Estava diante da moldura de Pedro Maleta (foto ao lado) quando senti os bichos desembarcando em minhas narinas e em minha garganta. Uma mistura de ar frio, mofo, umidade, tinta e fungos profundamente desnecessários. E não pensem que seja hipocondria ou frescura de minha parte. Não. A pessoa que me acompanhava já havia espirrado (e quase expirado) cinco vezes quando resolvi ir falar com o guarda.

-Quem é o responsável por essa merda?

Ele nem teve como responder-me direito, pois estava rouco e com o nariz escorrendo. Caí fora daquela câmara pré-pneumococica resmungando para mim mesmo: Ah,  como faria bem a essa gente umas lições de eudemonologia!!!

Ezio Flavio Bazzo







Um comentário:

  1. Bazzo, eu quero parabenizá-lo por ter escrito isto. No museu onde trabalho o sistema de climatização vive com defeito. Ora esfria que ninguém aguenta.... Ora estraga e durante meses os livros raros e especiais que deveriam estar em ambiente de temperatura controlada são facilmente atacados por fungos e bactérias. Ambientes que abrigam obras de arte e livros raros exigem temperatura e umidade do ar controlados. E isto também significa ter condições para a manutenção dos equipamentos, com as limpezas periódicas e as supervisões necessárias para que possam cumprir seus objetivos. Segundo padrões internacionais, a temperatura ideal para conforto das pessoas é de 22 à 24º. C. Para os livros, a temperatura recomendada é de 16 a 19º. C, e para fotografias e filmes, é de 18 a 4º. C (em reserva técnica).
    A duração média de um livro é diretamente ligada ao grau de temperatura ambiente. Estudos provaram que a simples diminuição de 2º. C na temperatura de alguns acervos, resultou em longevidade sete vezes maior para os livros mas isto se aplica ao acervo e não ao usuário. Mas o Brasil não sabe fazer esta diferença e principalmente não conhece as palavras "manter" e "cuidar" e assim, acervos preciosos nunca são mantidos e cuidados adequadamente. Por isto encontramos, de norte a sul, esta situação ridícula, que ao invés de proteger, destrói as obras e adoece as pessoas.

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