"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A confraria e a máfia do TRADUTOR JURAMENTADO

Quando você pensa que já conhece todos os tipos de safadezas e de gatunagens oficializadas, pronto aparece outra a que você tem que se submeter compulsoriamente como um idiota. A última, que me surrupiou quatrocentos e tantos dólares foi a do Tradutor Juramentado. Já ouviu falar nesse personagem, cuja tabela de preços (a confraria diz tabela de emolumentos) é mais abstrata e mais subjetiva que o Mistério da Santíssima Trindade? Pois bem, ele existe. Não são muitos, mas moram todos em palacetes por aí, e na mão deles um diploma e um histórico escolar se transformam facilmente em onze laudas. Se você perguntar por que a letra precisa ser daquele tamanho e por que tantos espaços entre uma linha e outra, te responderão arrogantemente, e no idioma que você quiser, que são “regras” preestabelecidas pela Junta Comercial, que passaram num concurso público e que não estão lá para trabalharem de graça para ninguém. Ok? Oh. Mas e no rabo, não vai nada? Eu, que não tenho nostalgia nenhuma pela época em que o Manifesto de Marx e Engels era lido e relido nos botecos, sempre que me deparo com um novo tipo de máfia engendrada por esse sistema putrefato, volto ao livretinho de capa vermelha, numa espécie de consolo. E quando ele já não serve mais para aplacar minha fúria, (uma vez que os proletários se mostraram piores que as putas em todo o planeta) recorro ao hermano Vargas Vila e relaxo: “Quão difícil, para não dizer quão impossível é chegar a amar aquilo ao qual se tem que obedecer! Um escravo que chegasse a amar seu amo seria infeliz, por ser o mais vil dos mortais; os que amam uma tirania é porque não a obedecem: a exercem ou a exploram. Só a liberdade pode ser amada porque ela não tem leis”.

Ezio Flavio Bazzo

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