"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Leitor no Cairo, 1923


A fotografia ao lado (leitor no Cairo) foi feita em 1923 por Rudolf Lehnert.

Alguém, fucinhando pelos bouquinistes parisienses a descobriu impressa em forma
de postal e com o seguinte texto do poeta turco (Nedim Gursel) no verso: “Les mots comme les femmes sont partis un par un, laissant derrière eux un vide étrange, douloureux, aliénant, auquel il ne peut donner de sens, ni de nom, qu’il ne peut non plus exprimer. Il est maintenant dans ce vide. Là, il se démène pour existir, pour atteindre le monde, mais en vain!”

Seria uma bobagem ilusória e idealista achar que não se fazen mais leitores, fotógrafos e nem poetas como antigamente.

Ezio Flavio Bazzo

3 comentários:

  1. Não, não seria. Um texto significativo como este encerra uma dor lancinante, difícil de ser expressa por palavras ou imagens. É um grito surdo que poucos compreendem.

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  2. de pleno acordo. como no trecho de gursel: "Il est maintenant dans ce vide". sim, estamos no vazio. e agora? choraremos nele? não! celebremos com canções e dança no vazio! mas com quais canções e quais danças? ah, eis um mundo inteiro para ser encontrado, se não, inventado.

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  3. Inventemos pois: existe em mim um eu nômade que se desorienta com sensações de vida e morte. Passa do mistério à fantasia num piscar de olhos e ainda de um estado de espírito a outro, no brilho intermitente e no embaçamento das possibilidades não cumpridas. Este meu ser vidente, sensível e frágil é também desgarrado, desenraizado, desabrigado e sobretudo não compreendido. Ele conhece bem "ce vide".

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